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Nos últimos meses estivemos perguntando a personalidades do mundo acadêmico, empresarial e governamental o que é inovação e como inovar em governo, ao mesmo tempo em que nos aprofundamos na estratégia da gestão Obama, como fonte de inspiração e tendência ao que viria na migração do e-gov (electronic government) para o i-gov (innovation government).

As respostas, além de variadas e enriquecedoras, trazem em comum a dificuldade em apresentar um modelo ou exemplo a ser seguido.

Nessa mesma busca pela inovação, o governo americano veio a público, pela internet é claro, para convocar a população que quisesse repensar e propor novas formas de gestão pública, oferecendo não apenas o compromisso da interação, mas principalmente disponibilizando ferramentas de participação, colaboração, transparência e engajamento, de modo a conduzir juntos a inovação em governo.

De fato, essa era a primeira fase de uma revolucionária estratégia que pretende, entre outras coisas, abandonar o modelo de governo eletrônico entregador unilateral de informação, que se vale de um monólogo em sua comunicação com o cidadão para entregar serviços em formato web, do ponto de vista tecnológico, mas formato balcão sob a ótica social, distante do diálogo que a rede permite, aliás mais do que diálogo simples, são os diálogos múltiplos que hoje presenciamos na rede e não encontramos no governo.

A estratégia é então composta de três fases:
fase 1: Brainstorm - A população compartilha suas idéias de como tornar o governo mais aberto e eficiente, tanto postando suas recomendações, quanto votando nas idéias dos demais, através do site Open Government Dialogue. O objetivo desta fase foi atender às seguintes questões:
  • Como as operações do governo podem ser mais transparentes e responsáveis?
  • Como os comitês consultivos federais de legislação, regulamentação e eletrônicos podem ser melhor utilizados para melhorar a qualidade das decisões do governo?
  • Quais modelos alternativos para melhorar a qualidade das decisões dos gestores públicos e ao mesmo tempo possibilite o aumento da participação cidadã nestas decisões?
  • Quais estratégias poderiam ser empregadas para obtermos uma maior utilização da web 2.0 nas agências públicas?
  • Quais políticas estão impedindo a inovação no governo atualmente?
  • Qual o melhor caminho para mudar a cultura de governo, para que compreenda a colaboração ?
  • Quais mudanças devem ser feitas na formação ou contratação de pessoal, que favoreçam a inovação?
  • Quais os modelos de avaliação de desempenho são necessários para determinar a eficácia de uma política de governo aberto?
Com duração de uma semana, entre 21 e 28 de maio, o brainstorm nacional reuniu online 4.208 idéias vindas dos cidadãos, dando início a segunda fase.

fase 2: Discussão - Para a triagem e o aprofundamento das contribuições, bem como a classificação e identificação dos desafios apresentados na fase 1. Para tanto, o governo, por meio do Escritório de Política em Ciência e Tecnologia, montou um blog reportando as discussões e permitindo os comentários e outras contribuições dos cidadãos.

fase 3: Elaboração (Drafting) - Permanece o incentivo à colaboração no desenvolvimento das idéias inovadoras a fim de transformá-las em princípios para ações específicas de governo, com o objetivo de dar respostas a:
  • Quem? - Quem está sendo direcionado para fazer o quê?
  • O quê? - Qual é a recomendação destinada a atingir?
  • Por quê? - Porque é importante?
  • Como? - Como o sucesso é medido?
Esta fase, tida como final na White House Open Government Initiative, será encerrada no próximo dia 6 de julho, entretanto algumas iniciativas de inovação já podem ser vistas (e seguidas) consultando a Galeria de Inovações do Governo Aberto.

Das inovações já apresentadas, a que provoca maior admiração é a Data.Gov. Nesse site, o governo americano apresenta uma plataforma para o Open Data Government, disponibilizando à sociedade suas principais bases de dados, consideradas de interesse do cidadão, em formatos amigáveis como o xml, para que indivíduos, associações, comunidades e empresas possam produzir aplicações web e conhecimento, apoiados em bases governamentais.

Os benefícios, para além dos novos serviços públicos eletrônicos, produzidos pela sociedade e que facilmente veremos em breve, somam-se a transparência efetiva, a inovação científica e educacional e o engajamento cívico que vive seu ressurgimento naquele país. Veja o vídeo promocional:



Creio que será, depois disso, no mínimo, anacrônico discutirmos se o governo deve ou não publicar os salários dos servidores. Também acredito que esteja nessa estratégia a resposta para a morte do governo eletrônico e o surgimento real da inovação em governo.

Tecnologias que pegam

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Anualmente o News Media Consortium, por meio do Horizon Project, pesquisa, identifica e classifica as tecnologias-chave que afetarão o ensino, a pesquisa e a criatividade na sociedade, abrangendo o mundo acadêmico, corporativo e governamental, tornando público esse trabalho através do Horizon Report, disponibilizados no wiki do projeto desde a edição de 2004.

Há pouco mais de um ano, dávamos conta aqui das tecnologias apontadas pelo relatório de 2008, que coloca uma margem de adoção que varia de menos de um ano a até cinco anos, onde despontavam a popularização da linguagem de vídeo, web colaborativa, banda larga móvel, data mashups, inteligência coletiva e sistemas operacionais sociais.

No relatório deste ano, o projeto apresenta as seguintes tendências, agrupadas segundo o tempo para adoção:
  • menos de um ano: mobilidade e computação em nuvem
  • de dois a três anos: geo-tudo (entendido como a ampliação da tecnologia de geolocalização estendida a equipamentos de uso comum) e web-personal (aqui a confirmação do protagonismo do usuário)
  • de quatro a cinco anos: web semântica e objetos inteligentes (popularização de rfid e smart cards)

Parece que também em tecnologia, como dizem das leis, tem umas que pegam e outras não.

Numa rápida análise, observamos que algumas tecnologias, consideradas no relatório anterior de 2008, desapareceram ou foram antecipadas em sua adoção, ou ainda, sofreram um reagrupamento. Por outro lado, outras parecem ressurgir ou revelam o óbvio para aqueles que acompanham a tecnologia, como por exemplo a questão da mobilidade.

De fato, a mobilidade é apontada desde o relatório de 2005, inserida naquela ocasião na tendência de ubiquidade e no tempo de até um ano para "pegar"; a mobilidade também retornou no relatório de 2006, dessa vez realinhada para um horizonte de dois a três anos. No atual, a tecnologia emerge para os próximos meses... será ?

Longe de apresentar uma crítica ao relatório, que a propósito julgo excelente, quero refletir sobre essa paralisia, tanto na iniciativa privada quanto pública, em desenvolver aplicações móveis para a educação, saúde, transportes e demais áreas; só o que tenho visto é "envie um SMS para tal e concorra a tal prêmio" e isto é lamentável, para dizer pouco.

No CONIP 2009, que encerra hoje, participei de um painel discutindo brevemente a estrutura e serviços em Mobile Government e tive a oportunidade de levar essa reflexão aos presentes, em mesa coordenada pela Profa. Maria Alexandra Cunha, quem coordenou também a excelente pesquisa sobre usuários de governo eletrônico. A cópia dos slides da apresentação está aqui.

A convite da Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo,tive a oportunidade e o privilégio de conduzir a primeira Oficina de Criatividade no Setor Público, como parte das Oficinas de Estímulo à Inovação em Governo, promovidas pelo GATI e FUNDAP. O foco dessa oficina, com duração de três dias inteiros, é a utilização de ferramentas colaborativas e web 2.0 no trabalho dos órgãos governamentais, habilitando os alunos para empregar essa riqueza de recursos de rede na melhoria de seu ambiente e no atendimento ao cidadão.

Fico satisfeito de que em breve teremos novos blogueiros de governo, que vão juntar-se a tantos bons exemplos que com frequência citamos aqui. O interessante é que as evidências do uso dessas ferramentas sociais que trazemos em nossos posts, tiveram até então a característica de serem, em geral, aplicadas pelo nível estratégico, daí fui buscar exemplos em grau operacional e, sem muito esforço, encontrei e espero que possam inspirar a todos.

Podemos iniciar pelo pessoal de linha de frente (atendimento direto ao cidadão) do Condado de Oakland, em Michigan-EUA, que criou um portal que combina blogs e fóruns, como meio de encorajar a participação e o diálogo entre os cidadãos, onde se discute desde o preço local da gasolina até o das taxas e impostos governamentais.

Por falar em taxas governamentais, o Franchise Tax Board, do Estado da Califórnia-EUA, criou um canal no YouTube para explicar, em linguagem simples (algumas engraçadas) e também em espanhol, o porquê e para onde vão os impostos arrecadados pelo governo. É, sem dúvida, bem melhor do que ler planilhas e pdf's.

Na Alemanha, perto de mil servidores públicos e especialistas do setor privado fazem parte de uma comunidade Xing, para discutir a nova geração de governo eletrônico. Algo muito parecido com o que tem o Governo de São Paulo com sua comunidade nósGov, que foi chamada por um de seus membros de "Orkut do Governo".

Agora a ferramenta de micro-blogging Twitter está entrando em cena no setor público. Cerca de 70 mil britânicos, por exemplo, acompanham o Primeiro Ministro Gordon Brown em suas atividades diárias através desse recurso, que também encontra sua utilização pelo executivo e legislativo dos Estados Unidos, confira a lista aqui.

Os exemplos são inúmeros e serão sempre notícia neste espaço. Se você pretende conhecer ferramentas e complementos de web 2.0, preparei uma lista de links para os alunos da oficina e deixei disponível aqui.

Quem percorreu as páginas deste blog já observou que, embora nosso propósito seja o de divulgar boas práticas de inovação em governo no Brasil e no exterior, a presença de iniciativas dos Estados Unidos em nossos posts é quase nula, o que parcialmente explicamos aqui. De fato, é de se estranhar que a liderança e o pioneirismo norte-americano nesse setor tenham sido abandonados nesses anos de inovação, de governo 2.0, mas é aceitável se olharmos para o governo Bush como o puxador da tomada do e-gov. 

Sabemos, por tudo que já escrevemos aqui sobre o presidente eleito Barack Obama, que esta situação já está mudando e fica cada vez mais forte a certeza de que essa mudança vai além do otimismo, porque para Obama é clara a utilização de tecnologias de informação e comunicação para a governança. Não é modismo, nem tecnocentrismo, o que caracteriza as ações do presidente eleito ao declarar a criação em seu governo de um CTO - Chief of Technology Office, sua escolha nesse caminho começou bem antes, como já dissemos, no encontro que o então senador teve com Marc Andreessen, em 2007.

Nesse mesmo ano, em novembro, Obama foi ao escritório da Google para proferir uma palestra sobre suas idéias de TICs e governo. Os trechos dessa palestra foram disponibilizados somente há um mês no YouTube e pode ser assistido abaixo.


Na iniciativa de "criar uma democracia transparente e conectada", destacamos os seguintes pontos do discurso:
  • Disponibilizar informações governamentais online em formatos acessíveis universalmente;
  • Criar fóruns de participação pública, para perguntas gerais sobre legislações pendentes, com respostas em tempo real e espaço para sugestões e críticas às leis antes de serem assinadas;
  • Garantir que cada residente americano e cada escola, hospital e biblioteca tenha acesso à internet em banda larga;
  • Incrementar os padrões de velocidade de banda larga;
  • Estimular a ciência e a educação tecnológica, preparando uma nova geração de cientistas; e
  • Implantar o registro médico eletrônico, melhorando os cuidados com a saúde, diminuindo erros e baixando os custos do sistema. 
Para tornar real o Plano de Tecnologia e Inovação, o governo Obama já nomeu os três nomes que irão assumir o Grupo de Tecnologia, Inovação e Políticas Governamentais: Sonal Shah (foto), que chefiava uma das iniciativas filantrópicas da Google; Blair Levin e Julius Genachowski, ambos originados do FCC - Federal Communication Comission, um tipo de Anatel americana.

A mudança começou e para o lado certo.
Dedicamos anteriormente neste blog vários posts à campanha eleitoral de Barack Obama, elogiada pelo uso da internet e das ferramentas sociais, também comentada em nosso podcast, que adiciona os elementos estatísticos e estratégicos que foram recentemente revelados sobre essa vitoriosa campanha.

Entre as revelações, a NewsWeek está publicando online uma enorme reportagem em sete partes, contando os bastidores da campanha, que inclui alguns toques da estratégia web e os conflitos entre crackers.

Também sobre os bastidores webelections, o Chicago Tribune exibe fotos e comentários do comitê de campanha, apresentando Chris Hughes, jovem de 24 anos e um dos fundadores do FaceBook, que ganhou o posto de "guru da campanha online". Não esqueçamos que em 2007, o então senador Obama teve um encontro com Marc Andreessen, aquele que criou o Netscape e o portal de rede social Ning, justamente para aprender sobre ferramentas sociais. Esse encontro é relatado por Andreessen em seu blog.

Entretando, passada a ressaca das eleições, é hora de olharmos a transição; e neste ponto a equipe do presidente eleito também não decepciona.

Eu já havia acessado o White House Transition Project, que existe desde 1997 e relata todas as transições presidenciais, oferecendo um acervo de recursos e documentos, entre eles o "Recommendations for an Effective 2008 Transition", de Clay Johnson, executivo de governo e quem cuidou da transição Clinton-Bush.

Mais recentemente conheci o The White House 2, que está colhendo adesões à propostas para os primeiros 100 dias de governo Obama, onde o cidadão pode votar as prioridades. Interessante site que mostra em segundo lugar, entre as prioridades que devem ser cuidadas pelo presidente, fazer com que os USA sejam líder em "empregos verdes" e inovação (Make the U.S. a leader in green jobs and innovation). Isso combina muito com o que o Pepe escreveu no post anterior.

Agora, no dia seguinte ao resultado das eleições, a equipe de Obama colocou no ar o seu site de transição The Obama-Biden Transition Project que, além de apresentar a evolução da nova administração, a agenda de prioridades do novo governo, as nomeações e ocupações de cargo, convida a interação do povo americano com duas frases-chaves: "Conte-nos sua história" e "Compartilhe suas Idéias". Ambas propõem ao usuário participar ativamente deste momento histórico.

Sabemos que nada disso surge de repente, do improviso. A campanha de Obama, iniciada há 22 meses tem, no mínimo desde julho último, preparada a estratégia da transição e posse, não por presunção, mas porque um candidato que não se prepara para assumir o cargo, no mínimo seis meses antes, não está preparado nem para ser candidato, como recomenda Clay Johnson. Se o uso de ferramentas Web 2.0 foi importante na campanha, também deve ser utilizado na transição, como recomenda e instrumentaliza o excelente artigo de Mark Dapreau.

E também, é claro, deve ser utilizada na gestão, logo após a posse. Vamos acompanhar.
Se a sequência eleições-transição-gestão do novo governo americano seguir com coerência o uso colaborativo de idéias e conhecimento, talvez tenhamos um inovador modelo de gestão, concentrando e usando conceitos de economia de colaboração, cauda longa, emergência, ferramentas sociais, convergência tecnológica e tudo aquilo de bom que surgiu nos últimos oito anos, mas não tínhamos ninguém para liderar.
Vira e mexe surge a pergunta. Quantos blogs existem no mundo?

Acho impossível responder esta pergunta com um grau mínimo de confiabilidade. Enquanto estou fazendo esta postagem, milhares de blogs estão sendo criados, e outros tantos estão desaparecendo. Por isso mesmo, os números apresentados pelas diversas empresas especialistas em pesquisas na web são tão díspares.

Pessoalmente, creio que mais importante do que entrar nessa neura numérica, é prestar atenção na direção do vento. Senão, ficamos escravos da “estatística pela estatística” e deixamos de observar o mais importante, ou seja, o verdadeiro impacto das ferramentas sociais, das quais o blog é a face mais conhecida, na vida das pessoas e organizações.

Foi com este espírito que comento alguns aspectos da pesquisa “O Estado da Blogosfera”, recentemente disponibilizada na Internet pela Technorati, empresa especializada em indexação, classificação e distribuição de conteúdos gerados em blogs e outras mídias sociais.

Apontarei, nesta postagem, 10 pontos (olha eu caindo na armadilha numérica) que me chamaram muita atenção no documento. Por coerência, não falarei sobre as cifras, em si, as quais podem ser consultadas no estudo mencionado.

1. Os blogs, entendidos como veículos de democratização do processo de autoria e de distribuição de conteúdo, mudaram radicalmente a face da Internet e moldarão o futuro da mídia.

2. Como o talento não cresce na mesma proporção das facilidades tecnológicas, haverá, na blogosfera, muita coisa ruim e sem interesse, algum material de qualidade e uns poucos exemplares de excepcional valor. Essas duas últimas manifestações, por si só, mostram a importância dos blogs para a divulgação de idéias e experiências que, antes, por falta de canal apropriado, tendiam a ficar no plano dos sonhos não realizados.

3. Os blogs estão mudando de cara. Tornaram-se mais bonitos, têm mais funções e estão ficando com jeitão de “site”.

4. Isto tem muito a ver com a maior sofisticação e integração da ferramentas da web 2.0. Pressinto uma grande expansão de soluções que incorporem, em um único ambiente, gratuito e bem resolvido visualmente, o melhor dos blogs, wikis, redes sociais, mashups, etc.

5. O Internet está tomando o lugar da TV como maior consumidora das horas de lazer da população mais jovem. Os blogs e as redes sociais explicam muito desse fenômeno.

6. Estimo que a convergência digital vai se acelerar e os computadores vão, cada vez mais rapidamente, ficar com a cara das TVs e as TVs, com a cara dos computadores.

7. Blogs viraram mania universal. O que era um fenômeno tipicamente norte-americano, com o passar dos anos, foi avançando, também, nos demais continentes, moldando um novo estilo de vida global.

8. Blogs tornaram-se recurso corporativo. O que, de início, era rejeitado ou visto com desconfiança, passou, mais recentemente, a integrar o conjunto de ferramentas colaborativas e de comunicação mercadológica de um número crescente de organizações.

9. No universo corporativo, os governos, em particular, ainda utilizam pouco, e muito timidamente, blogs e outras ferramentas sociais na moldagem de uma nova relação entre o serviço público e a cidadania. Felizmente, este quadro está começando a mudar, graças, principalmente, a utilização inovadora desses instrumentos na campanha presidencial de Barack Obama e por um crescente número de governos europeus.

10. Para reforçar este sentimento, vou reproduzir uma declaração do consultor Michael Powell, da Providence Equity Partners, um dos ouvidos pela Technorati na pesquisa ora comentada. Disse ele, “a blogosfera colocou um pouco mais de tempero na nossa democracia, tornado-a mais apetitosa para um maior número de pessoas”.
Os últimos cinco anos tem revelado um Portugal moderno e inovador, com governantes antenados na aplicação de tecnologias para a melhoria da gestão. Comentamos aqui anteriormente algumas práticas de nossos amigos lusos, como a segunda geração da Lojas do Cidadão, o SIMPLEX e o próprio Portal Cidadão, que coloca em ótima posição o governo português em termos de inovação.

A empresa de telecomunicações Ericsson realiza anualmente estudos de benchmarking na China, Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Brasil, Japão e Suécia, visando apurar a realidade do mercado de seu segmento e, neste ano de 2008, incluiu Portugal em seu foco, apresentando informações surpreendentes sobre o mercado português na perspectiva do consumidor, em comparação com o mercado global.

Algumas delas: 2/3 dos portugueses tem computador em casa, 22% dos consumidores têm acesso aos quatro serviços/tecnologias (internet, telefone móvel, telefone fixo, televisão), 33% têm telefone móvel, internet e telefone fixo em casa, 51% dos lares tem ligação à internet e, acreditem, Portugal é líder em utilização de banda larga, ultrapassando proporcionalmente todos os países monitorados pela Ericsson, inclusive os EUA.

Mas isso não acontece sem querer ou por conta do próprio mercado. Antecede a todo esse estado de desenvolvimento e inovação, uma política pública sobre uso de TICs, que deu origem ao Plano Tecnológico Portugal a Inovar. Em Portugal, redes de nova geração são prioridade de governo, existe um plano e existem os indicadores e metas de sua realização, agrupados em três eixos: conhecimento, tecnologia e inovação.

Ao visitar o site do plano já se percebe o foco nos resultados: todas as escolas públicas estão ligadas à internet em banda larga desde 2006, todo o país tem cobertura em alta velocidade, 500 mil alunos do ciclo básico vão receber gratuitamente notebooks com acesso à rede, e tantas outras medidas para o cidadão, para a empresa, para a administração pública e para o desenvolvimento científico.
Aproveitando o tema Portugal e também porque hoje é sexta-feira, recomendo pegar na locadora o adorável filme DOT.COM.
Não cabe aqui, nem a mim, pronunciar sobre a recente decisão do TST – Tribunal de Superior do Trabalho, considerando que “não há ilicitude no ato da empresa que acessa caixa de correio eletrônico corporativo de empregado”, ou seja, não há privacidade ou sigilo se o computador e o acesso à rede não pertence ao empregado, mas é propriedade da empresa.

Contudo, me incomodaram as recomendações fornecidas à imprensa pelo relator do agravo, ministro Ives Gandra Martins Filho, em que sugere que as empresas e os órgãos públicos façam como o TST e restrinjam o acesso à internet pelos funcionários, proibindo qualquer contato com Orkut, blogs, Youtube, MSN ou sites de pornografia, por exemplos.

Note que, ao colocar uma aplicação num mesmo cesto da pornografia, dá-nos a impressão de que as comunidades do Orkut são povoadas por pedófilos e tarados, que os blogs são criados e mantidos por exibicionistas, que o Youtube é um festival de sexo explícito, ou ainda, que o MSN foi criado para a sedução. Isso não é exagero, é mentira.

Como diz o Pepe, fazer com que o empregado trabalhe não é tarefa de “proxy”, é tarefa do chefe. Confiar a identificação de maníacos e estranhos no ambiente de trabalho ao “sistema de segurança da rede” é uma grande besteira, isso é missão para departamentos como os de gestão de pessoas.

Atribuir à internet uma função desqualificada e imoral é negar todas as virtudes da rede, inibir ou restringir seu acesso significa obstruir o desenvolvimento do pensamento, da pesquisa e da mudança organizacional.

Acredito que aqueles que pensam como o ministro devam rever suas posições e acessar as boas práticas em vários países apresentadas neste e em tantos outros blogs e sites. Verão que existem empregados de escritórios e repartições públicas que trabalham mais, melhor e com qualidade de vida porque estão conectados irrestritamente.

POST POST: A Comissão de Educação e Cultura do Parlamento Europeu, a respeito do pluralismo dos meios de comunicação, elaborou e aprovou um interessante relatório, que está sendo chamado o Estatuto da Blogosfera, cuja versão em português pode ser acessada aqui.

Tecnologia sem Mistérios

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A Tecnologia da Informação e Comunicação, não obstante as saudáveis mudanças ocorridas no setor nos últimos quinze anos, continua sendo um porto seguro para aqueles que gostam de falar muito e dizer nada. Plena de jargões indecifráveis e métricas nebulosas, o setor ainda acoberta muitos profissionais que não perceberam que o usuário é a razão de ser da área e para o qual devem ser dirigidos todos os esforços para melhoria de produtos e serviços.

Por isso, ficamos muito contentes em saber que o programa Plug Eldorado, comandado pelos professores Pierluigi Piazzi (primeira foto) e Tarcisio de Carvalho (segunda foto), que trata a informática de uma maneira descomplicada foi eleito pela Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA, como o melhor programa de rádio de 2007.

Esse aparente milagre se deveu à simpatia e à capacidade de comunicação da dupla, que vem ensinando aos muitos ouvintes do programa como gravar um CD, baixar um software, configurar uma impressora e a realizar mais um sem número de tarefas que pareciam impossíveis para usuários leigos.

Parabéns aos dois professores por perceberem tão bem para onde sopra vento e por entenderem a angustia daqueles consumidores acostumados a ouvir um, sonoro, “isso não dá para fazer” como resposta padrão, ou “default”, como os pretensos gurus da tecnologia gostam de falar.

O programa vai ao ar aos sábados, às 14:00 hs. com reprises aos domingos às 05:00 e 21:00 hs. Para os insones, há, ainda a possibilidade de ouví-lo nas madrugadas das terças, 02:00 hs., e quintas, 03:00 hs.

Há também, um site, onde ficam disponíveis gravações dos programas. Confira.

Madri terá o e-Bus

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A Empresa Municipal de Transportes de Madri é novamente foco de inovação neste blog. Comentei aqui em janeiro, sobre o uso de SMS para informar a distância e o tempo de espera para que o ônibus chegue em determinada parada, como um pequeno case de mobilidade.
Desta vez a empresa madrilenha é pioneira mundial - segundo a própria empresa - em oferecer acesso à internet em seus ônibus, com uso gratuito da rede wi-fi pelos passageiros.
A notícia saiu no
El País, dando conta que o sistema funcionará como se cada ônibus fosse um hot spot e o passageiro, ao comprar o bilhete de passagem e receber a senha de acesso, poderá abrir seu portátil e navegar pela rede em alta velocidade.

A novidade deve estar disponível na capital espanhola até julho próximo. Olé!
Tenho uma impressão sobre a habilidade dos políticos brasileiros, quando entendem os meios de comunicação, mais ou menos assim: Getúlio Vargas entendeu e usou como ninguém o rádio, enquanto que o Juscelino Kubitschek foi o pioneiro e elegante presidente na TV (a analógica, é claro), talvez superado por Fernando Collor em termos dramáticos, mas quem, no Brasil, será o hábil candidato a ocupar a mídia internet nas próximas eleições ?

Acompanho um pouco as eleições americanas e o competente trabalho da equipe de Barack Obama. Eles ocuparam todos os espaços e oportunidades da internet em torno das primárias democratas.

Desde site de adesão à campanha, além do oficial do senado, um wiki bem redigido, flickr enorme, wallpapers e ringtones para celulares, um canal no Youtube, RSS e releases e outros tantos endereços e recursos da web 2.0 a favor de sua campanha. Talvez a melhor campanha via internet até agora e, com certeza, a maior.

Visitar todas essas referências e estudar a estratégia da equipe de Obama para internet é, por si só, um grande prazer que pretendo desfrutar neste final de semana. Que aliás, começa hoje.

Porque nesta sexta-feira haverá um evento na Universidade de Nova York, reunindo Arianna Huffington, fundadora do portal de blogs políticos The Huffington Post; Jeff Jarvis, do Buzz Machine; Micah Sifry, fundador do TechPresident, blog sobre o uso da web na política; Lisa Tozzi, editora de política do NYTimes; e Jay Rosen, professor de jornalismo da UNY, que irá debater "como a internet está mudando a política nos EUA".

O debate terá transmissão ao vivo pela web no GroundReport.tv. É hoje, sexta-feira, às 20h, horário de Brasília.

Pst Post>> para quem perdeu o debate, mas gostaria de ver, clique aqui para acessar.
Imagine um grupo de 49 especialistas em inovação e educação reunido, pensadores da estatura de Phillip Long, do Educational Innovation and Technology Office do MIT, ou do nosso Jean Paul Jacob, inovador emérito da IBM e professor da UC Berkeley. Gente assim respondendo a pergunta-título deste post.

Esses notórios da inovação fazem parte no New Media Consortium, uma comunidade que reúne centenas de líderes dos centros de pesquisa das universidades, empresas e governos, para estimular a prospecção e uso de novas mídias e tecnologias de aprendizagem e criatividade.
Recentemente o NMC publicou o 2008 Horizon Report como resultado da prospecção em novas tecnologias para educação, num processo assim explicado por Jean Paul Jacob à revista OffLine:

“Começamos com a pergunta: ‘quais as tecnologias que vão impactar a educação dentro de um ano, dentro de dois a três anos e dentro de quatro a cinco anos?’. Todos os estudiosos responderam. Isto gerou aproximadamente 100 apostas. Houve espaço para discussão. Os autores debateram. Agruparam idéias parecidas. Consolidou-se uma lista com 60 itens. Cada um teve dez votos para distribuir. Podia escolher vários itens ou apostar todas as suas fichas em um único, se o considerasse o mais importante. Após a votação, oito tecnologias vencedoras. Reunimo-nos em grupos com a incumbência de eliminar a menos importante. Ficaram as cinco tecnologias mais relevantes.”

Aconselho o download e leitura do relatório, mas aqui vão topicamente as cinco tecnologias apontadas: popularização da linguagem de vídeo, web colaborativa, banda larga móvel, data mashups, inteligência coletiva e sistemas operacionais sociais.


>>Post Post: o Pepe, recém-retornado da Europa, nos informa o espetacular wiki do Horizon Project http://horizon.nmc.org/wiki/Main_Page . Bem-vindo e tks JAC.
Em artigo de Lisa Williams, no site InterGovWorld.com intitulado “Second Life has potential for public sector”, há uma entrevista com a analista do IDC Canadá, Alison Brooks, apontando para os benefícios que podem causar às administrações públicas ferramentas como o Second Life.
O Second Life, como sabem, é um jogo online de simulação de uma vida digital que causou furor em 2007 e agora vem respirando ofegante, pois para alguns é chato demais por exigir muito processamento e banda larga, excluindo muitos internautas que ainda preferem os sites de relacionamento como o Orkut que, embora menos interativo e nada divertido como um game, é de fácil acesso e manipulação pelo usuário.
De acordo com Brooks, os Estados Unidos já estão realizando um projeto-piloto usando o Second Life para fóruns educativos e sobre imigração. Ela também alerta para a necessidade de promover avanços tecnológicos e comunicacionais interativos nas áreas de governo, que correspondam a atualidade, porque os cidadãos do futuro são aqueles que neste momento já experimentam sistemas e aplicativos de última geração.
Aqui no Brasil quem está batalhando nesse segmento do Second Life e utilidade pública é o Prof. Gilson Schwartz, da Cidade do Conhecimento, da USP, cuja prospecção em conjunto com a Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo deve acontecer em breve, iniciando com algo do tipo balcão Poupatempo no SL.

Boas novas

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Os usuários de telefones celular tiveram duas boas notícias de ontem para hoje.

A primeira envolve o próximo lançamento do Readius, um dispositivo portátil que compreende, entre outras diversas funções, um celular tri banda. O aparelho está sendo apresentado pela Polymer Vision no Mobile World Congress, realizado em Barcelona de 11 a 14 de fevereiro. O diferencial deste produto, na imensa selva de dispositivos móveis, é sua tela enrolável, que fica embutida dentro do dispositivo, aumentando a área útil de leitura sem ocupar espaço.

O melhor dos dois mundos.

Esta característica facilita a disponibilização de alguns serviços públicos que demandem uma maior área de tela ou para usuários com necessidades especiais.



De imediato o aparelho será lançado pela TIM, na Itália.

A outra boa notícia para os 121 milhões de usuários de celular no Brasil é a nova regulamentação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para a telefonia móvel, que amplia alguns direitos dos usuários, como desbloqueio gratuito, manutenção do número em caso de mudança de operadora, que será implantado gradualmente, suspensão provisória de assinatura, etc.

As entidades de defesa do consumidor consideram a medida um avanço a ser, no entanto, bastante ampliado.

Cabe à Anatel, às diversas entidades de defesa dos consumidores, como o PROCON em São Paulo, e, principalmente, à nós usuários pressionar por uma relação cada vez mais justa que nos permita consumir, sem raiva, os avanços tecnológicos, como o acima apontado.

Enfim, a tela pode ser enrolada, nós não.