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Nos últimos meses estivemos perguntando a personalidades do mundo acadêmico, empresarial e governamental o que é inovação e como inovar em governo, ao mesmo tempo em que nos aprofundamos na estratégia da gestão Obama, como fonte de inspiração e tendência ao que viria na migração do e-gov (electronic government) para o i-gov (innovation government).

As respostas, além de variadas e enriquecedoras, trazem em comum a dificuldade em apresentar um modelo ou exemplo a ser seguido.

Nessa mesma busca pela inovação, o governo americano veio a público, pela internet é claro, para convocar a população que quisesse repensar e propor novas formas de gestão pública, oferecendo não apenas o compromisso da interação, mas principalmente disponibilizando ferramentas de participação, colaboração, transparência e engajamento, de modo a conduzir juntos a inovação em governo.

De fato, essa era a primeira fase de uma revolucionária estratégia que pretende, entre outras coisas, abandonar o modelo de governo eletrônico entregador unilateral de informação, que se vale de um monólogo em sua comunicação com o cidadão para entregar serviços em formato web, do ponto de vista tecnológico, mas formato balcão sob a ótica social, distante do diálogo que a rede permite, aliás mais do que diálogo simples, são os diálogos múltiplos que hoje presenciamos na rede e não encontramos no governo.

A estratégia é então composta de três fases:
fase 1: Brainstorm - A população compartilha suas idéias de como tornar o governo mais aberto e eficiente, tanto postando suas recomendações, quanto votando nas idéias dos demais, através do site Open Government Dialogue. O objetivo desta fase foi atender às seguintes questões:
  • Como as operações do governo podem ser mais transparentes e responsáveis?
  • Como os comitês consultivos federais de legislação, regulamentação e eletrônicos podem ser melhor utilizados para melhorar a qualidade das decisões do governo?
  • Quais modelos alternativos para melhorar a qualidade das decisões dos gestores públicos e ao mesmo tempo possibilite o aumento da participação cidadã nestas decisões?
  • Quais estratégias poderiam ser empregadas para obtermos uma maior utilização da web 2.0 nas agências públicas?
  • Quais políticas estão impedindo a inovação no governo atualmente?
  • Qual o melhor caminho para mudar a cultura de governo, para que compreenda a colaboração ?
  • Quais mudanças devem ser feitas na formação ou contratação de pessoal, que favoreçam a inovação?
  • Quais os modelos de avaliação de desempenho são necessários para determinar a eficácia de uma política de governo aberto?
Com duração de uma semana, entre 21 e 28 de maio, o brainstorm nacional reuniu online 4.208 idéias vindas dos cidadãos, dando início a segunda fase.

fase 2: Discussão - Para a triagem e o aprofundamento das contribuições, bem como a classificação e identificação dos desafios apresentados na fase 1. Para tanto, o governo, por meio do Escritório de Política em Ciência e Tecnologia, montou um blog reportando as discussões e permitindo os comentários e outras contribuições dos cidadãos.

fase 3: Elaboração (Drafting) - Permanece o incentivo à colaboração no desenvolvimento das idéias inovadoras a fim de transformá-las em princípios para ações específicas de governo, com o objetivo de dar respostas a:
  • Quem? - Quem está sendo direcionado para fazer o quê?
  • O quê? - Qual é a recomendação destinada a atingir?
  • Por quê? - Porque é importante?
  • Como? - Como o sucesso é medido?
Esta fase, tida como final na White House Open Government Initiative, será encerrada no próximo dia 6 de julho, entretanto algumas iniciativas de inovação já podem ser vistas (e seguidas) consultando a Galeria de Inovações do Governo Aberto.

Das inovações já apresentadas, a que provoca maior admiração é a Data.Gov. Nesse site, o governo americano apresenta uma plataforma para o Open Data Government, disponibilizando à sociedade suas principais bases de dados, consideradas de interesse do cidadão, em formatos amigáveis como o xml, para que indivíduos, associações, comunidades e empresas possam produzir aplicações web e conhecimento, apoiados em bases governamentais.

Os benefícios, para além dos novos serviços públicos eletrônicos, produzidos pela sociedade e que facilmente veremos em breve, somam-se a transparência efetiva, a inovação científica e educacional e o engajamento cívico que vive seu ressurgimento naquele país. Veja o vídeo promocional:



Creio que será, depois disso, no mínimo, anacrônico discutirmos se o governo deve ou não publicar os salários dos servidores. Também acredito que esteja nessa estratégia a resposta para a morte do governo eletrônico e o surgimento real da inovação em governo.

Tecnologias que pegam

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Anualmente o News Media Consortium, por meio do Horizon Project, pesquisa, identifica e classifica as tecnologias-chave que afetarão o ensino, a pesquisa e a criatividade na sociedade, abrangendo o mundo acadêmico, corporativo e governamental, tornando público esse trabalho através do Horizon Report, disponibilizados no wiki do projeto desde a edição de 2004.

Há pouco mais de um ano, dávamos conta aqui das tecnologias apontadas pelo relatório de 2008, que coloca uma margem de adoção que varia de menos de um ano a até cinco anos, onde despontavam a popularização da linguagem de vídeo, web colaborativa, banda larga móvel, data mashups, inteligência coletiva e sistemas operacionais sociais.

No relatório deste ano, o projeto apresenta as seguintes tendências, agrupadas segundo o tempo para adoção:
  • menos de um ano: mobilidade e computação em nuvem
  • de dois a três anos: geo-tudo (entendido como a ampliação da tecnologia de geolocalização estendida a equipamentos de uso comum) e web-personal (aqui a confirmação do protagonismo do usuário)
  • de quatro a cinco anos: web semântica e objetos inteligentes (popularização de rfid e smart cards)

Parece que também em tecnologia, como dizem das leis, tem umas que pegam e outras não.

Numa rápida análise, observamos que algumas tecnologias, consideradas no relatório anterior de 2008, desapareceram ou foram antecipadas em sua adoção, ou ainda, sofreram um reagrupamento. Por outro lado, outras parecem ressurgir ou revelam o óbvio para aqueles que acompanham a tecnologia, como por exemplo a questão da mobilidade.

De fato, a mobilidade é apontada desde o relatório de 2005, inserida naquela ocasião na tendência de ubiquidade e no tempo de até um ano para "pegar"; a mobilidade também retornou no relatório de 2006, dessa vez realinhada para um horizonte de dois a três anos. No atual, a tecnologia emerge para os próximos meses... será ?

Longe de apresentar uma crítica ao relatório, que a propósito julgo excelente, quero refletir sobre essa paralisia, tanto na iniciativa privada quanto pública, em desenvolver aplicações móveis para a educação, saúde, transportes e demais áreas; só o que tenho visto é "envie um SMS para tal e concorra a tal prêmio" e isto é lamentável, para dizer pouco.

No CONIP 2009, que encerra hoje, participei de um painel discutindo brevemente a estrutura e serviços em Mobile Government e tive a oportunidade de levar essa reflexão aos presentes, em mesa coordenada pela Profa. Maria Alexandra Cunha, quem coordenou também a excelente pesquisa sobre usuários de governo eletrônico. A cópia dos slides da apresentação está aqui.

O Centro de Treinamento da Rede de Administração Pública das Nações Unidas - UNPAN, está com inscrições abertas para os cursos de Governo Eletrônico, destinados a iniciantes e especialistas nesse segmento de governo. Os cursos são gratuitos e realizados online, disponíveis nos idiomas inglês, russo, árabe, francês e ucraniano. 

No idioma inglês já são 14 cursos disponíveis:

 1. Building a Community of Practice for Electronic Governance
Para matrículas, informe-se aqui ou encaminhe e-mail para Ms. Elizabeth Danseco.

Lembro também que estão abertas as pré-inscrições para as Oficinas de Inovação em Gestão Pública, exclusiva para os funcionários do Governo do Estado de São Paulo. Oferecidas em modo presencial, os programas e datas estão disponíveis aqui.

Quem percorreu as páginas deste blog já observou que, embora nosso propósito seja o de divulgar boas práticas de inovação em governo no Brasil e no exterior, a presença de iniciativas dos Estados Unidos em nossos posts é quase nula, o que parcialmente explicamos aqui. De fato, é de se estranhar que a liderança e o pioneirismo norte-americano nesse setor tenham sido abandonados nesses anos de inovação, de governo 2.0, mas é aceitável se olharmos para o governo Bush como o puxador da tomada do e-gov. 

Sabemos, por tudo que já escrevemos aqui sobre o presidente eleito Barack Obama, que esta situação já está mudando e fica cada vez mais forte a certeza de que essa mudança vai além do otimismo, porque para Obama é clara a utilização de tecnologias de informação e comunicação para a governança. Não é modismo, nem tecnocentrismo, o que caracteriza as ações do presidente eleito ao declarar a criação em seu governo de um CTO - Chief of Technology Office, sua escolha nesse caminho começou bem antes, como já dissemos, no encontro que o então senador teve com Marc Andreessen, em 2007.

Nesse mesmo ano, em novembro, Obama foi ao escritório da Google para proferir uma palestra sobre suas idéias de TICs e governo. Os trechos dessa palestra foram disponibilizados somente há um mês no YouTube e pode ser assistido abaixo.


Na iniciativa de "criar uma democracia transparente e conectada", destacamos os seguintes pontos do discurso:
  • Disponibilizar informações governamentais online em formatos acessíveis universalmente;
  • Criar fóruns de participação pública, para perguntas gerais sobre legislações pendentes, com respostas em tempo real e espaço para sugestões e críticas às leis antes de serem assinadas;
  • Garantir que cada residente americano e cada escola, hospital e biblioteca tenha acesso à internet em banda larga;
  • Incrementar os padrões de velocidade de banda larga;
  • Estimular a ciência e a educação tecnológica, preparando uma nova geração de cientistas; e
  • Implantar o registro médico eletrônico, melhorando os cuidados com a saúde, diminuindo erros e baixando os custos do sistema. 
Para tornar real o Plano de Tecnologia e Inovação, o governo Obama já nomeu os três nomes que irão assumir o Grupo de Tecnologia, Inovação e Políticas Governamentais: Sonal Shah (foto), que chefiava uma das iniciativas filantrópicas da Google; Blair Levin e Julius Genachowski, ambos originados do FCC - Federal Communication Comission, um tipo de Anatel americana.

A mudança começou e para o lado certo.
A SaferNet Brasil é uma organização não governamental responsável pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que opera em parceria com o MPF-SP e que reúne cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito com a missão de defender e promover os Direitos Humanos na Sociedade da Informação no Brasil.
Nesta última quinta-feira, dia 9, a SaferNet divulgou uma pesquisa inédita sobre segurança na internet e que contou com a participação de quase 1.400 crianças, jovens e pais de todo o País. Dessa pesquisa e do site da ONG, destaco alguns resultados:
  • 53% dos jovens já tiveram contato com conteúdos agressivos e que consideravam impróprios para sua idade;

  • 38% dos jovens internautas relataram já ter sido vítima de ciberbullying;

  • 10% afirmaram já ter sofrido algum tipo de chantagem on-line;

  • 64 % dos jovens usam a Internet principalmente no próprio quarto, contrariando uma das dicas de prevenção que orienta a manter o computador em área comum da residência;

  • 80% dos jovens internautas preferem os sites de relacionamento, 72% comunicadores instantâneos;

  • 54% dos jovens dizem que possuem algum colega que já encontrou com um amigo virtual;

  • 27% dos jovens afirmam já ter encontrado (presencialmente) ao menos uma vez amigos que conheceram pela Internet;

  • 72% dos jovens publicam suas fotos;

  • 51% divulgam o sobrenome além do nome;

  • 61% compartilham a data de aniversário; e

  • 21% afirmam que fornecem livremente o nome da escola e/ou clube que freqüentam.
Dito assim, parecem apenas números estatísticos, mas apontam-nos a realidade e cabe-nos encontrar o equilíbrio entre a segurança e a liberdade nas mídias interativas. Se você quer conhecer e baixar os slides da pesquisa apresentada, acesse aqui.


Em julho passado, anunciamos neste blog a criação espanhola da Escola 2.0, numa inovadora ação de governo desenvolvida pelo Ministério de Educação, Política Social e Desportes. Passado esses três meses, o mesmo ministério anuncia mais uma criação: um canal no YouTube.

Apontamos aqui e ali as iniciativas de governos que, ao aderirem a canais de vídeo na internet, melhoram sobremaneira sua comunicação com o cidadão, potencializando o relacionamento com o público e beneficiando-se do meio para explicar o próprio governo em nova linguagem, diferente do formalismo retórico dos "diários oficiais" mas, sob o ponto de vista da informação, apresentam a palavra (e imagem) oficial.

O novo canal do ministério de Espanha, o MEPSYD, iniciou com uma pequena programação e pretende usar o mesmo canal para receber dúvidas e críticas do cidadão, visando o aprimoramento do canal e da gestão. A titular da pasta, a ministra Mercedes Cabrera, no vídeo de apresentação do canal, diz que "... a administração pública tem a obrigação de unir-se a esta nova forma de entendimento com a sociedade...".

Por curiosidade, fui procurar na caixa de busca do YouTube algum vídeo com a tag governo brasileiro e achei isto... pena. Tenho razões para acreditar que, ao criar canais no YouTube (ou qualquer outro do tipo), os governos poderiam também começar a praticar a linguagem da TV Digital e começar a produzir serviços públicos em vídeos interativos, que tal ?

Para quem ainda não conhece a técnica embrionária da interação no YT, interaja aqui para alguns exemplos e aqui para entender como é feito.
Os últimos cinco anos tem revelado um Portugal moderno e inovador, com governantes antenados na aplicação de tecnologias para a melhoria da gestão. Comentamos aqui anteriormente algumas práticas de nossos amigos lusos, como a segunda geração da Lojas do Cidadão, o SIMPLEX e o próprio Portal Cidadão, que coloca em ótima posição o governo português em termos de inovação.

A empresa de telecomunicações Ericsson realiza anualmente estudos de benchmarking na China, Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Brasil, Japão e Suécia, visando apurar a realidade do mercado de seu segmento e, neste ano de 2008, incluiu Portugal em seu foco, apresentando informações surpreendentes sobre o mercado português na perspectiva do consumidor, em comparação com o mercado global.

Algumas delas: 2/3 dos portugueses tem computador em casa, 22% dos consumidores têm acesso aos quatro serviços/tecnologias (internet, telefone móvel, telefone fixo, televisão), 33% têm telefone móvel, internet e telefone fixo em casa, 51% dos lares tem ligação à internet e, acreditem, Portugal é líder em utilização de banda larga, ultrapassando proporcionalmente todos os países monitorados pela Ericsson, inclusive os EUA.

Mas isso não acontece sem querer ou por conta do próprio mercado. Antecede a todo esse estado de desenvolvimento e inovação, uma política pública sobre uso de TICs, que deu origem ao Plano Tecnológico Portugal a Inovar. Em Portugal, redes de nova geração são prioridade de governo, existe um plano e existem os indicadores e metas de sua realização, agrupados em três eixos: conhecimento, tecnologia e inovação.

Ao visitar o site do plano já se percebe o foco nos resultados: todas as escolas públicas estão ligadas à internet em banda larga desde 2006, todo o país tem cobertura em alta velocidade, 500 mil alunos do ciclo básico vão receber gratuitamente notebooks com acesso à rede, e tantas outras medidas para o cidadão, para a empresa, para a administração pública e para o desenvolvimento científico.
Aproveitando o tema Portugal e também porque hoje é sexta-feira, recomendo pegar na locadora o adorável filme DOT.COM.

Projetos 2.0 na Educação

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Terry Freedman é um consultor britânico independente, que participou do Horizon Report 2008, que comentamos aqui. É um especialista em TICs aplicadas à Educação, responsável e conteudista do The Educational Technology Site: ICT in Education, onde publica seus mais de três mil artigos e estudos, entre eles o Web 2.0 Projects, uma coletânea e guia de ferramentas web 2.0, portanto disponíveis e gratuitas na rede, dirigida a professores, alunos e usuários em educação.
São dicas de sites e aplicações, organizadas por faixa etária, com comentários e links atualizados, já que o estudo foi publicado há duas semanas e promete atualizações futuras. Compreendo que, por estar escrito em inglês e referenciar sites nesse idioma, talvez não tenha tantas adesões entre nossos educadores, porém pode servir de estímulo para que se construam sites nessa categoria e um guia prático como o de Freedman.

Acesse aqui a área de downloads de livros.

Escola 2.0

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Mais uma vez a Espanha, que vem tomando cena aqui em inovação nos transportes, em empreendedorismo e, principalmente, em estrutura organizacional de governo, nos traz mais um modelo para a educação.

O Ministério de Educação, Política Social e Desportes espanhol anunciou, através de sua ministra Mercedes Cabrera, uma série de medidas para a criação da Escuela 2.0, que entra em vigor a partir de setembro, como adiantado pelo site Innova.

Segundo a ministra, em nota oficial a respeito da Escuela 2.0, " os profissionais e os estudantes serão seus protagonistas e seus destinatários, os criadores de conteúdos e os demandantes de informação ao mesmo tempo. É a nova geração da Internet, a escola 2.0 que devemos aproveitar para elevar a preparação de nossos jovens."

Entre as medidas anunciadas, três se destacam:
  1. O Ministério lançará em setembro um novo portal na internet, de intercâmbio de conteúdo educativo para professores e alunos. Parece óbvio, mas não conheço nenhum que tenha ido além de um repositório, desprovido de interação e comunidade, mas calculo que essa nova iniciativa, baseada em 2.0 e nos fundamentos do Teach Today da Comunidade Européia, tem mais chance de sucesso.

  2. Qualquer cidadão poderá completar sua titulação ou completar o ciclo formativo em formação profissional através da internet.

  3. Passa a compor os planos de ensino, a disciplina "Ciências para o Mundo Contemporâneo", onde, segundo a mesma nota, "os jovens conhecerão como aconteceu a transição da era analógica para a digital, a profundidade da mudança ocorrida com o surgimento da Internet, a revolução tecnológica e social nas comunicações e aprenderão a respeitar a privacidade e a proteção de dados.". Isto merece muita atenção dos dirigentes em educação.

As coisas ficam tão claras e produtivas quando um governo está alinhado. A equipe do governo Zapatero tem demonstrado esse foco na inovação desde a sua constituição.

Aproveitando o assunto educação, o vídeo da palestra do Prof. José Pacheco (Escola da Ponte, Portugal) feita em junho último está disponível aqui.

Acredito que pouca coisa na tv brasileira tenha a credibilidade e a qualidade da TV Cultura, da Fundação Padre Anchieta. Eles conseguem ser TV pública sem ser chata, produzir jornalismo imparcial, ser estatal sem cabides, sem ser chapa branca.

Além do elogiado modelo da programação infantil, com o Cocoricó, Rá Ti Bum e o Castelo, a TV Cultura apresenta, desde 1986, o melhor e mais importante programa de entrevistas de nosso país, o Roda Viva.

Agora a TV Cultura, em parceria com a FAPESP, dá mais um passo ao encontro da IPTV e TV Digital, oferecendo ao público de todo o Brasil e do mundo o Memória Roda Viva, pela internet.

De acordo com a apresentação, “os usuários têm acesso às transcrições integrais das entrevistas realizadas pelo Roda Viva nos últimos 21 anos, além de um vídeo do programa e verbetes explicativos. Mais de duzentas das principais entrevistas estarão disponíveis para consulta e pesquisa. Semanalmente serão inseridos outros programas, até que todos estejam no site.”

Os vídeos ainda não estão integralmente no site, mas considero já um presente inestimável à memória brasileira, não aquela confinada em museus ou nos burocráticos centros culturais e videotecas sem estrutura, mas esta entregue a estudantes, pesquisadores e toda a gente que se importa com este país, pelo seu mais moderno meio digital. Penso que nos planos do Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta, o Memória Roda Viva uma vez totalmente digitalizado, migrará em breve para a programação da TV Digital daquela emissora.

Consulte aqui o acervo e para assistir ao programa ao vivo (segundas-feiras, 22h40) acesse por aqui.
A história tem sido assim: instalam quarenta computadores em uma sala da escola pública, disponibilizam acesso à internet e dão o nome de "laboratório de informática". Entrando no mérito de que a utilização de computadores, em geral, não está integrada com os planos de ensino, constatamos ainda um despreparo generalizado de professores, não por culpa de sua formação, mas de sua atualização e reciclagem.
Não estou falando, fique claro, das aulas de informática praticadas nesses laboratórios, que por si justificam o uso, mas das disciplinas mais comuns, como história, geografia, matemática e língua portuguesa, por exemplos.

Como os programas de aula integram-se ao uso de computadores ? De que forma preparam-se professores para tanto ? E os alunos, estão sendo preparados para o uso do meio de comunicação ou só para o uso do computador ? Talvez possamos começar a responder, através do conceito de uso responsável das novas tecnologias.

A Comissão Européia, através da European Schoolnet, que reúne os Ministérios de Educação de 28 países europeus, desenvolveram um portal na internet, o Teach Today, para ajudar os professores a ensinar os estudantes a fazer uso responsável das novas tecnologias, como informa o jornal espanhol El País.

O site, disponível por enquanto em somente cinco idiomas, oferece lições, casos práticos e materiais didáticos, e ainda, dispõe conhecimentos imprescindíveis para ensinar aos escolares como evitar os riscos relacionados ao uso das novas tecnologias, como por exemplo, o assédio virtual ou cyberbullying.

O educador que enxerga a necessidade da integração disciplina-tecnologia, deve encontrar no Teach Today um grande aliado.

Por falar nisso, o Grupo de Apoio Técnico à Inovação, do Governo do Estado de São Paulo, promoverá em junho próximo um encontro, dentro de seu tradicional ciclo de palestras de inovação, com o educador português José Pacheco, conhecido pela referência em educação inovadora, a Escola da Ponte. Mais adiante eu confirmarei a data e local.
Imagine um grupo de 49 especialistas em inovação e educação reunido, pensadores da estatura de Phillip Long, do Educational Innovation and Technology Office do MIT, ou do nosso Jean Paul Jacob, inovador emérito da IBM e professor da UC Berkeley. Gente assim respondendo a pergunta-título deste post.

Esses notórios da inovação fazem parte no New Media Consortium, uma comunidade que reúne centenas de líderes dos centros de pesquisa das universidades, empresas e governos, para estimular a prospecção e uso de novas mídias e tecnologias de aprendizagem e criatividade.
Recentemente o NMC publicou o 2008 Horizon Report como resultado da prospecção em novas tecnologias para educação, num processo assim explicado por Jean Paul Jacob à revista OffLine:

“Começamos com a pergunta: ‘quais as tecnologias que vão impactar a educação dentro de um ano, dentro de dois a três anos e dentro de quatro a cinco anos?’. Todos os estudiosos responderam. Isto gerou aproximadamente 100 apostas. Houve espaço para discussão. Os autores debateram. Agruparam idéias parecidas. Consolidou-se uma lista com 60 itens. Cada um teve dez votos para distribuir. Podia escolher vários itens ou apostar todas as suas fichas em um único, se o considerasse o mais importante. Após a votação, oito tecnologias vencedoras. Reunimo-nos em grupos com a incumbência de eliminar a menos importante. Ficaram as cinco tecnologias mais relevantes.”

Aconselho o download e leitura do relatório, mas aqui vão topicamente as cinco tecnologias apontadas: popularização da linguagem de vídeo, web colaborativa, banda larga móvel, data mashups, inteligência coletiva e sistemas operacionais sociais.


>>Post Post: o Pepe, recém-retornado da Europa, nos informa o espetacular wiki do Horizon Project http://horizon.nmc.org/wiki/Main_Page . Bem-vindo e tks JAC.