Na edição do podcast Pensando Alto, que gravamos na semana passada, começamos a detalhar o modelo de governo aberto, ou open data government, que brevemente havíamos comentado aqui no iGovBrasil, mas ainda necessita de aprofundamento.Canadá mostra sinais de Governo Aberto
Na edição do podcast Pensando Alto, que gravamos na semana passada, começamos a detalhar o modelo de governo aberto, ou open data government, que brevemente havíamos comentado aqui no iGovBrasil, mas ainda necessita de aprofundamento.Como inovar em governo
Nos últimos meses estivemos perguntando a personalidades do mundo acadêmico, empresarial e governamental o que é inovação e como inovar em governo, ao mesmo tempo em que nos aprofundamos na estratégia da gestão Obama, como fonte de inspiração e tendência ao que viria na migração do e-gov (electronic government) para o i-gov (innovation government). - Como as operações do governo podem ser mais transparentes e responsáveis?
- Como os comitês consultivos federais de legislação, regulamentação e eletrônicos podem ser melhor utilizados para melhorar a qualidade das decisões do governo?
- Quais modelos alternativos para melhorar a qualidade das decisões dos gestores públicos e ao mesmo tempo possibilite o aumento da participação cidadã nestas decisões?
- Quais estratégias poderiam ser empregadas para obtermos uma maior utilização da web 2.0 nas agências públicas?
- Quais políticas estão impedindo a inovação no governo atualmente?
- Qual o melhor caminho para mudar a cultura de governo, para que compreenda a colaboração ?
- Quais mudanças devem ser feitas na formação ou contratação de pessoal, que favoreçam a inovação?
- Quais os modelos de avaliação de desempenho são necessários para determinar a eficácia de uma política de governo aberto?
- Quem? - Quem está sendo direcionado para fazer o quê?
- O quê? - Qual é a recomendação destinada a atingir?
- Por quê? - Porque é importante?
- Como? - Como o sucesso é medido?
Há uma crise não contabilizada em nossos noticiários. De fato, não é tão abissal quanto a crise econômica (que por aqui foi considerada marola), nem tão pandêmica quanto a multinomeada gripe suína, mas sim é uma crise: o Brasil sofre a crise da inovação.
Uma das vantagens na inovação que utiliza tecnologia digital é a facilidade com que pode ser reproduzida, ou seja, uma iniciativa-modelo em determinada área pode ser copiada para outra, ainda com os ganhos de um sistema já testado. Diferentemente no mundo físico, quando o governo cria um hospital ou escola modelo, sabemos que dificilmente o modelo se reproduzirá, visto que envolve custos de construção, equipamentos e manutenção, não suportados por outros projetos.2009: Ano da Criatividade e Inovação
No ano passado, noticiamos aqui a proposta do CORDIS para que 2009 fosse o Ano Europeu da Criatividade e Inovação, dando início a estratégia de tornar a Europa um continente líder na economia do conhecimento. Era abril e a crise econômica mundial não estava acentuada ou quase nada sabíamos, além de algumas dificuldades no mercado hipotecário americano.Mas criatividade não é apenas útil em situações de crise, é claro. Criatividade e capacidade inovadora trazem cruciais benefícios a longo prazo para a economia, a sociedade, as empresas, bem como para as pessoas. Inovação e criatividade são pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e o crescimento social."
Quando se fala em serviços eletrônicos, tenho em conta que o governo de Cingapura foi quem fez o primeiro portal organizado por eventos de vida, dedicado ao cidadão e serviços públicos, lá em 2004, com o inovador e bem-sucedido e-Citizen, que serviu de base para que montássemos aqui em São Paulo o Cidadão.SP e outros governos, como a França com o Service Public, também o copiassem como um modelo de government to citizen (G2C).CRM e Centrais de Atendimento Municipais
Um verdadeiro e constante desafio à inovação, tanto em governo quanto nas empresas, está em implantar e gerir um CRM - Citizen (quando governo) ou Customer (quando empresa) Relationship Management. A Gestão de Relacionamento com o Cidadão ou com o Consumidor, é uma daquelas idéias geniais, cuja aplicabilidade e solução parece-nos inequívoca e que, entretanto, não se consegue atingir, mesmo com toda a tecnologia a nosso favor, com analistas de informática e representantes do setor nos indicando a facilidade de implantarmos um sistema desses.
No Reino Unido, o Department for Innovation, Universities and Skills tem atuado nos três principais segmentos de inovação: científico (envolvendo universidades e centros de pesquisas), empresarial e serviços públicos. Neste último, foco deste blog, o departamento britânico deixa transparente que sua abordagem em inovação envolve desde ações estratégicas - como a formulação de políticas de inovação, considerada "vital para aumentar a nossa competitividade, melhorar a nossa economia e a nossa qualidade de vida" - até ações operacionais, como a criação de dashboards para o NetVibes.
Dedicamos anteriormente neste blog vários posts à campanha eleitoral de Barack Obama, elogiada pelo uso da internet e das ferramentas sociais, também comentada em nosso podcast, que adiciona os elementos estatísticos e estratégicos que foram recentemente revelados sobre essa vitoriosa campanha.A organização não governamental britânica DEMOS, que tem por princípio ser um "catalizador de idéias da democracia cotidiana", publica estudos e organiza eventos focados para os movimentos sociais e democráticos, que apresentam os desafios da participação cidadã dos jovens e seus métodos nos dias atuais. Assista o vídeo abaixo criado pela DEMOS.
A DEMOS, como parte desse estudo, também publicou o delicioso relatório de Celia Hannon, Peter Bradwell e Charlie Tims, todos da European Cultural Foundation, chamado Video Republic. Esse estudo, gratuito para download, coloca os fatos e argumentos desta geração conectada, usuária e produtora de vídeos através de webcams, celulares e câmeras de bolso de baixo custo e alto impacto, que não se incomodam com a imagem tremida ou com pouca luz, mas se preocupam em mostrar e denunciar a realidade ao seu redor.
As novas gerações e as novas tecnologias talvez tragam consigo a nova democracia, uma nova república... algo além de novos consumidores. Antes dizíamos que informação é poder; agora, como diz na abertura do vídeo, contar histórias é poder.
E o governo nisso ? Eu havia comentado em outro post sobre a posição da ministra da Educação e Política Social de Espanha sobre a obrigação da administração pública em compreender e usar esses canais, agora o Video Republic inglês afirma que "os governos procuram solucionar os resultados coletivos, influenciando a cultura em que vivemos; também eles vão ter de encontrar novas maneiras de comunicarem-se com pessoas através da Video Republica."
Parece que, ao menos no Reino Unido, essas novas maneiras de videocomunicação já estão adotadas, tanto pelo Primeiro Ministro quanto por Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II.
A propósito, em 1958 na Inglaterra, essa mesma rainha transmitiu a primeira mensagem real de Natal pela TV, desejando naquela ocasião que "o novo meio torne a minha mensagem de Natal mais pessoal e direta. O fato de alguns de vocês me verem hoje é um exemplo da velocidade que está mudando o mundo".
Sim, está mudando e muito mais veloz quando os governos são lentos.


A consultoria americana Awareness, sediada em Massachusetts, especializada em ferramentas web 2.0 - blogs, wikis, rss, tags, comunidades, podcasts, videocasts, mapping, mashups... e por aí em frente - publicou um estudo sobre tendências e boas práticas, sob o título "Trends and Best Practices in Adopting Web 2.0 in 2008".O plano de Portugal dá certo
Os últimos cinco anos tem revelado um Portugal moderno e inovador, com governantes antenados na aplicação de tecnologias para a melhoria da gestão. Comentamos aqui anteriormente algumas práticas de nossos amigos lusos, como a segunda geração da Lojas do Cidadão, o SIMPLEX e o próprio Portal Cidadão, que coloca em ótima posição o governo português em termos de inovação.
Não cabe aqui, nem a mim, pronunciar sobre a recente decisão do TST – Tribunal de Superior do Trabalho, considerando que “não há ilicitude no ato da empresa que acessa caixa de correio eletrônico corporativo de empregado”, ou seja, não há privacidade ou sigilo se o computador e o acesso à rede não pertence ao empregado, mas é propriedade da empresa. Contudo, me incomodaram as recomendações fornecidas à imprensa pelo relator do agravo, ministro Ives Gandra Martins Filho, em que sugere que as empresas e os órgãos públicos façam como o TST e restrinjam o acesso à internet pelos funcionários, proibindo qualquer contato com Orkut, blogs, Youtube, MSN ou sites de pornografia, por exemplos.
Note que, ao colocar uma aplicação num mesmo cesto da pornografia, dá-nos a impressão de que as comunidades do Orkut são povoadas por pedófilos e tarados, que os blogs são criados e mantidos por exibicionistas, que o Youtube é um festival de sexo explícito, ou ainda, que o MSN foi criado para a sedução. Isso não é exagero, é mentira.
Como diz o Pepe, fazer com que o empregado trabalhe não é tarefa de “proxy”, é tarefa do chefe. Confiar a identificação de maníacos e estranhos no ambiente de trabalho ao “sistema de segurança da rede” é uma grande besteira, isso é missão para departamentos como os de gestão de pessoas.
Atribuir à internet uma função desqualificada e imoral é negar todas as virtudes da rede, inibir ou restringir seu acesso significa obstruir o desenvolvimento do pensamento, da pesquisa e da mudança organizacional.
Acredito que aqueles que pensam como o ministro devam rever suas posições e acessar as boas práticas em vários países apresentadas neste e em tantos outros blogs e sites. Verão que existem empregados de escritórios e repartições públicas que trabalham mais, melhor e com qualidade de vida porque estão conectados irrestritamente.
POST POST: A Comissão de Educação e Cultura do Parlamento Europeu, a respeito do pluralismo dos meios de comunicação, elaborou e aprovou um interessante relatório, que está sendo chamado o Estatuto da Blogosfera, cuja versão em português pode ser acessada aqui.
As aplicações da web 2.0 no setor governamental tem sido o mote recorrente nos recentes congressos e noticiários de inovação em governo, apontando para a necessidade de avançar em sua aplicação nas instituições públicas.Falta-me ainda uma reflexão mais profunda acerca da implicação democrática, das metas de transparência e da participação cidadã, possíveis e fáceis com a web 2.0, sobrepondo-se aos objetivos mediatos de serviços públicos que caracterizaram o e-gov nesses doze anos de prática do governo na internet. Em outras palavras, o e-gov priorizou a migração de serviços públicos para a web, enquanto que o i-gov prioriza a relação governo-cidadão concentrando o foco neste último.
Outras características e necessidades emergiram nesse tempo e o grau de maturidade da web 2.0, acumulados esses três anos de prática, nos permite desmentir os incrédutos opositores da mudança na grande rede, que afirmavam não passar de modismo.
A busca por padrões ou modelos de serviços públicos eletrônicos, encontra hoje respostas com baixos custos e rápidas implementações, dispensando a complexidade (de estrutura e valores) exigida pelas empresas públicas de informática, em qualquer esfera de governo. E isso, por si só, já representa mudança.
O Governo 2.0, em termos conceituais, toma por base a incorporação de novas tecnologias como soluções da prática institucional pública, capaz de acompanhar o processo de mudança de uma sociedade aberta e atual. Essas soluções baseiam-se em:
Gestão centrada no cidadão: colocando o cidadão - suas necessidades, anseios e expectativas - no centro da configuração dos serviços públicos. Veja a iniciativa e-Citizen Charter do Governo da Holanda e a concepção do Gov 360 graus do Governo de São Paulo.
Governo único e em rede: a forma com que o governo se apresenta ao cidadão, mesmo organizado departamental e funcionalmente, deve representar metas e atitudes comuns. Por outro lado, a gestão do conhecimento e a transmissão de idéias e soluções entre os órgãos de governo, permitem atingir padrões de prestação de serviços e melhorias de desempenho em toda a administração.
Coprodução de serviços: modelo em que os usuários de serviços públicos participam de forma ativa no seu planejamento, adaptação e manutenção. Veja o magnífico exemplo da Escola da Ponte.
Funcionário web: a mudança tecnológica e ambiental impõe também a necessidade de mudança no modelo mental de trabalho, em níveis organizacionais e pessoais, sendo este último prioritário para a implantação de novas habilidades e atitudes baseadas na colaboração.
Facilidade de uso: os quesitos de usabilidade devem sofrer uma adaptação que considere a interatividade e participação do cidadão como fator de sucesso, ou seja, a comunicação ativa não se baseia mais em e-mail ou formulários, mas em inclusão de conteúdos em páginas de governo. Tais quesitos também estendem-se da web para as demais modalidades de atendimento (presencial, telefônico, etc), adequando as circunstâncias de atendimento à necessidade do usuário do serviço.
Novas métricas de qualificação dos serviços eletrônicos: foi comum até agora medirmos a eficiência dos serviços em termos de investimento e retorno financeiro, calculando economias para o governo e para o cidadão. Penso que isso seja mesmo importante, porém medir a qualidade dos serviços deve passar pela satisfação do usuário e a melhor utilização do meio adotado de prestação.
Aplicações para a melhoria de serviços públicos: informações atualizadas sobre criminalidade e espaço geográfico cidadão (Chicago e Citix), processos de revisão de patentes (Peer to Patent), informação sobre procedimentos urbanísticos (Planning Alert), geração de informação pública (Gapminder), sistemas de diálogo com os usuários para a melhoria dos serviços públicos (Patient Opinión), etc. Um outro exemplo, já clássico, da utilização Gov 2.0 está no wiki das agências de inteligência dos EUA, que racionalizou seu sistema de informação através do Intellipedia. Estas e outras referências aqui citadas, podem ser encontradas no Joint Research Centre, nos artigos do David Osimo já citado em post anterior e no Global e-Government Survey 2008 publicado pela ONU.
Aplicações para a melhoria de políticas públicas: por vezes tenho a impressão de que, em se tratando de políticas públicas de tecnologia de informação, o governo é o cachorro correndo atrás do rabo. Sem conquistar espaço na agenda política do Estado, vive reativamente a demandas que, quando se pronunciam, pedem por soluções ultrapassadas e daí se afasta mais e mais em participar da pauta de governo. Uma interessante iniciativa é o projeto catalão TicCities, sobre como utilizar as TIC para melhorar as políticas públicas de competitividade local, disponível no relatório Best Practices eGovern local.
Quanto ao uso de ferramentas web 2.0 (blogs, wiki, podcasting, ferramentas de compartilhamento, espaços virtuais como o Second Life, redes sociais, micro-blogging, etc.), apenas iniciamos o debate, tanto aqui quanto no exterior, apresentando propostas e experiências que temos praticado, como no iGovSP, cujo lançamento oficial está previsto para o dia 19 de junho.
Na sociedade atual, as formas de comunicação, relação e geração de conteúdos estão se dando a cada vez com maior naturalidade e intensidade, por isso é desejável que a administração pública também assuma essas novas formas de gerar e compartilhar informação e conhecimento.
Os planos de modernização administrativa caducaram, quer pela banalização da palavra, quer pelo seu anacronismo em tempos do tempo real. Pensar o hoje é para agir hoje, para agir a longo prazo temos que pensar e planejar a longo prazo, mas as ações iniciam agora. Veja o plano neo-zelândes e suas mensagens estratégicas incluindo valores da web 2.0.
Do ponto de vista organizacional, vemos iniciativas interessantes na Espanha onde, além do Ministério da Inovação, implantou em Bizkaia (Bilbao) o Departamento de Inovação e Promoção Econômica, constituído por técnicos que buscam colocar em prática uma nova relação com seus cidadãos, provedores e colaboradores, e lá criaram um blog e um wiki para compartilhar sua experiência de implantação da cultura 2.0 no ambiente de governo. Em São Paulo, algo semelhante acontece com o Grupo de Apoio Técnico à Inovação, vinculado à Secretaria de Gestão Pública.
De fato, estamos num momento bastante oportuno para novas propostas, algumas arrojadas, outras mais tradicionais, mas em comum a demanda por soluções políticas capazes de trazer o governo para os novos tempos, que requerem ao menos que se garanta ao cidadão o acesso à tecnologia midiática ( banda larga, padrões de usabilidade e acessibilidade, mobilidade, etc.) e a integração de habilidades sociais na formulação de ferramentas de governo.
Por fim, vale lembrar que não se trata de gestão de governo eletrônico, mas do uso racional de ferramentas que considerem a comunicação colaborativa a verdadeira inovação na gestão pública.
O primeiro-ministro britânico Gordon Brown, que possui um site bem montado e interativo e já utiliza o Twitter e o Flickr para sua comunicação com os cidadãos, aderiu também ao YouTube. Em um canal chamado Ask The PM, Brown vai responder a perguntas enviadas pelo público, por meio desse site de vídeos.As questões podem ser enviadas até o dia 21 de junho. Devem ter “menos de um minuto e sem conteúdo político-partidário” e somente cidadãos britânicos podem enviar perguntas.
Aliás, na próxima semana, de 26 a 28, teremos em Brasília o I Congresso CONSAD onde o pessoal do Citix, representados pelo Dr. Marco Antonio da Silva Costa e pelo Prof. Silvio Meira, estarão apresentando esse bem sucedido projeto. Nesse mesmo painel estarei defendendo um trabalho que escrevi com Sergio Bolliger sobre o uso de ferramentas web 2.0 pela gestão pública.
Fechando com esse tema, quero recomendar o estudo Web 2.0 in Government:Why and How?, do excelente David Osimo e, de quebra, coloco a seguir o slideshow de uma palestra do Osimo sobre o uso de mashups por governos.
O Plano Europeu de Inovação, conhecido como i2010, publicou no último dia 17 no relatório de título quilométrico "COMMUNICATION FROM THE COMMISSION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS" da Comissão Europeia , que sessenta por cento dos serviços públicos na União Européia estão totalmente disponíveis na Internet.
Parece que a Espanha está pisando no acelerador do setor de transportes públicos e inovação tecnológica.Postei aqui há duas semanas sobre Madri oferecer conexão wireless nos ônibus e agora sai mais uma notícia de m-Gov em Málaga, cidade da região de Andaluzia, no extremo sul espanhol.
A Empresa Malagueña de Transportes acabou de aprovar o projeto-piloto e em breve estará lançando o novo serviço de bilhetagem realizado por celular, que além do pagamento, possibilita a comunicação por proximidade (Near Field Communication - NFC).
Com essa tecnologia, o cartão SIM do celular pode armazenar a informação do pagamento e ser lido por leitores eletrônicos instalados nas cabines dos coletivos, como mostra a foto deste post.
Para ficar mais claro, assista o vídeo abaixo.
Enquanto o e-gov dos Estados Unidos sofre o desgaste da inércia, comentado no post anterior, vemos com satisfação a estratégia da Comunidade Européia para os serviços eletrônicos. Mais do que exemplos, a CE nos oferece modelos de desenvolvimento em governo eletrônico.
A começar pelo site da Europe's Information Society que, de cara, já oferece o conteúdo de cada página em versões para impressão, em áudio online ou em áudio para salvar, este bastante útil para levar no iPod.
Sob o tema de e-gov, o site traz a manchete-título do projeto "Putting citizens first", apresentando o conjunto de ações trans-européias de serviços públicos para o cidadão. É de encher os olhos, uma lógica concreta e interlaçada de projetos.
Tem um link para quatro projetos-exemplos que destacam iniciativas em mobile government, votação online, plataformas de gestão do conhecimento e serviços transacionais, e o HOPS um grandioso projeto em implantação, que automatiza os callcenters públicos por meio de portal de voz, web semântica e processamento de linguagem natural.
Agora o meu destaque vai mesmo para os vídeos que estão sendo produzidos pela CE, a fim de promover o e-gov. Em janeiro eu comentei aqui sobre os vídeos promocionais da Bélgica e da Coréia, mas os apresentados pelo eTEN Project são muito bons e cobrem vários segmentos do governo eletrônico.
Fica também a dica de um vídeo lançado este mês, com o título eGovernment: Better public services for everyone, que usa a linguagem gráfica semelhante ao South Park para divulgar um serviço eletrônico. Assista aqui.
Temos acompanhado aqui com atenção as iniciativas de mobilidade em governo, o m-Gov, na certeza de que a estratégias de prestação de serviços públicos em plataforma móvel devem estar na pauta de qualquer governo. Esse alinhamento emergente das tecnologias pessoais e convergente para a telefonia móvel, beneficia tanto cidadãos quanto a própria gestão.O caso da SABESP noticiado pela InfoCorporate, é exemplo de interpretação das facilidades tecnológicas aplicadas ao ambiente "hostil" que é o da manutenção da rede de água e esgoto de São Paulo. Segundo a reportagem, as 800 equipes colocadas à rua diariamente para resolver problemas de vazamentos, ligações de água e de esgoto e trocas de hidrômetros "deixaram de sair às ruas com um calhamaço enorme de papéis – requisições, mapas, listagens e documentos. No lugar, carregam um smartphone.", neste caso equipado com wi-fi, camera, GPS e acesso aos mapas da rede de saneamento local.
Com a disponibilidade da tecnologia 3G no país, abrem-se novas oportunidades para a criação e oferta de serviços públicos antes jamais imaginados, uma vez que permite a banda larga móvel e a possibilidade de videochamadas através de aparelhos celulares, entre os serviços mais destacados.
Um modelo interessante de banda larga móvel na área pública está na revista Info deste mês, edição impressa, onde sugere a adoção de celulares 3G como hotspots a serviço da população, afirmando que "em cidades onde a banda larga terrestre não está disponível, celulares 3G vão fazer o papel de roteador e oferecer a internet sem fio em locais como postos de estradas, pousadas e cidades muito pequenas". Talvez o caminho mais rápido para as cidades digitais, penso.
Uma outra aplicação que despertou interesse vem da Universidade de Washington, especificamente do Department of Computer Science and Engineering, que mantém o projeto MobileASL e vem estudando formatos de vídeocompressão para mobiles, tendo por objetivo facilitar o uso de celulares pelo usuário surdo-mudo. Imagino o benefício na prestação de serviço público com esse recurso que, segundo o site do projeto, já foi implantado no Japão e na Suécia.
Sim, mas aí vem aquela conversa toda do preço das tarifas no Brasil, da lentidão das organizações públicas, acadêmicas ou privadas em desenvolver soluções e tudo mais. Reconheço isso, mas animou-me também a reportagem do Caderno Digital, tendo como fonte o Ibope/NetRatings, apontando que 7% da base de usuários brasileiros acessaram a Internet por meio de celulares em 2007 - o que representa 2,8 milhões de internautas. O mesmo caderno ainda destaca que o Brasil está entre os campeões de acesso e que até 2010, 15 milhões de conexões serão feitas via banda larga, sendo 3 milhões por meio de celular.
Se esses números não confirmam a tendência e a necessidade de (des)envolvimento do governo nesse segmento, vamos continuar assistindo o que os demais países protagonizam.