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Na edição do podcast Pensando Alto, que gravamos na semana passada, começamos a detalhar o modelo de governo aberto, ou open data government, que brevemente havíamos comentado aqui no iGovBrasil, mas ainda necessita de aprofundamento.

Tenho razões para crer que a inclusão de Open Data na pauta de inovação dos governos é, mais que uma questão de tempo, uma questão de princípios e espírito inovador, capaz de efetivamente aplicar a transparência, a participação e a colaboração na relação governo-cidadão. É, não tenho dúvidas, o melhor a ser feito atualmente pelos dirigentes em governo eletrônico em benefício do governo e da sociedade.

Para os desenvolvedores dos EUA, por exemplo, que usam as bases do Data.gov, a Fundação Sunlight mantém, além de tutoriais, o concurso Apps for America, destinado às melhores aplicações feitas com as bases governamentais, com prêmios que variam de US$ 500 a US$ 10.000 para as ferramentas e APIs desenvolvidas, implantadas e submetidas ao júri, composto por Tim O'Reilly e Chris DiBona, entre outros. Isto apenas ilustra o quanto e como é importante estimular a sociedade, para que novos serviços públicos eletrônicos possam ser produzidos e compartilhados.

Também no Canadá já se percebem iniciativas de Governo Aberto. O site Visible Government, mantido por uma sociedade privada e sem fins lucrativos, promove o desenvolvimento de ferramentas online que visam a transparência de governo e que usam dados apoiados em fontes digitais oficiais.

Entre os projetos da iniciativa canadense, destaco o Disclosed.ca, que recolhe as informações sobre contratos públicos em mais de uma centena de sites federais e torna essas informações facilmente pesquisáveis e trabalhadas pelo cidadão comum. Uma aplicação que facilita aquilo que o governo já divulgava na rede mas, por comodidade ou intenção, de forma complicada e sem ligações inteligentes.

No Brasil, espero pelo dia em que as bases de dados governamentais estejam abertas para download, de modo que a sociedade, para a qual pertencem essas informações, passe a produzir mais conhecimento sobre seus governos e melhor decidir sobre seus caminhos.

Nos últimos meses estivemos perguntando a personalidades do mundo acadêmico, empresarial e governamental o que é inovação e como inovar em governo, ao mesmo tempo em que nos aprofundamos na estratégia da gestão Obama, como fonte de inspiração e tendência ao que viria na migração do e-gov (electronic government) para o i-gov (innovation government).

As respostas, além de variadas e enriquecedoras, trazem em comum a dificuldade em apresentar um modelo ou exemplo a ser seguido.

Nessa mesma busca pela inovação, o governo americano veio a público, pela internet é claro, para convocar a população que quisesse repensar e propor novas formas de gestão pública, oferecendo não apenas o compromisso da interação, mas principalmente disponibilizando ferramentas de participação, colaboração, transparência e engajamento, de modo a conduzir juntos a inovação em governo.

De fato, essa era a primeira fase de uma revolucionária estratégia que pretende, entre outras coisas, abandonar o modelo de governo eletrônico entregador unilateral de informação, que se vale de um monólogo em sua comunicação com o cidadão para entregar serviços em formato web, do ponto de vista tecnológico, mas formato balcão sob a ótica social, distante do diálogo que a rede permite, aliás mais do que diálogo simples, são os diálogos múltiplos que hoje presenciamos na rede e não encontramos no governo.

A estratégia é então composta de três fases:
fase 1: Brainstorm - A população compartilha suas idéias de como tornar o governo mais aberto e eficiente, tanto postando suas recomendações, quanto votando nas idéias dos demais, através do site Open Government Dialogue. O objetivo desta fase foi atender às seguintes questões:
  • Como as operações do governo podem ser mais transparentes e responsáveis?
  • Como os comitês consultivos federais de legislação, regulamentação e eletrônicos podem ser melhor utilizados para melhorar a qualidade das decisões do governo?
  • Quais modelos alternativos para melhorar a qualidade das decisões dos gestores públicos e ao mesmo tempo possibilite o aumento da participação cidadã nestas decisões?
  • Quais estratégias poderiam ser empregadas para obtermos uma maior utilização da web 2.0 nas agências públicas?
  • Quais políticas estão impedindo a inovação no governo atualmente?
  • Qual o melhor caminho para mudar a cultura de governo, para que compreenda a colaboração ?
  • Quais mudanças devem ser feitas na formação ou contratação de pessoal, que favoreçam a inovação?
  • Quais os modelos de avaliação de desempenho são necessários para determinar a eficácia de uma política de governo aberto?
Com duração de uma semana, entre 21 e 28 de maio, o brainstorm nacional reuniu online 4.208 idéias vindas dos cidadãos, dando início a segunda fase.

fase 2: Discussão - Para a triagem e o aprofundamento das contribuições, bem como a classificação e identificação dos desafios apresentados na fase 1. Para tanto, o governo, por meio do Escritório de Política em Ciência e Tecnologia, montou um blog reportando as discussões e permitindo os comentários e outras contribuições dos cidadãos.

fase 3: Elaboração (Drafting) - Permanece o incentivo à colaboração no desenvolvimento das idéias inovadoras a fim de transformá-las em princípios para ações específicas de governo, com o objetivo de dar respostas a:
  • Quem? - Quem está sendo direcionado para fazer o quê?
  • O quê? - Qual é a recomendação destinada a atingir?
  • Por quê? - Porque é importante?
  • Como? - Como o sucesso é medido?
Esta fase, tida como final na White House Open Government Initiative, será encerrada no próximo dia 6 de julho, entretanto algumas iniciativas de inovação já podem ser vistas (e seguidas) consultando a Galeria de Inovações do Governo Aberto.

Das inovações já apresentadas, a que provoca maior admiração é a Data.Gov. Nesse site, o governo americano apresenta uma plataforma para o Open Data Government, disponibilizando à sociedade suas principais bases de dados, consideradas de interesse do cidadão, em formatos amigáveis como o xml, para que indivíduos, associações, comunidades e empresas possam produzir aplicações web e conhecimento, apoiados em bases governamentais.

Os benefícios, para além dos novos serviços públicos eletrônicos, produzidos pela sociedade e que facilmente veremos em breve, somam-se a transparência efetiva, a inovação científica e educacional e o engajamento cívico que vive seu ressurgimento naquele país. Veja o vídeo promocional:



Creio que será, depois disso, no mínimo, anacrônico discutirmos se o governo deve ou não publicar os salários dos servidores. Também acredito que esteja nessa estratégia a resposta para a morte do governo eletrônico e o surgimento real da inovação em governo.

O ovo e a galinha

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Há uma crise não contabilizada em nossos noticiários. De fato, não é tão abissal quanto a crise econômica (que por aqui foi considerada marola), nem tão pandêmica quanto a multinomeada gripe suína, mas sim é uma crise: o Brasil sofre a crise da inovação.

Li no blog do Nassif que "o Brasil é responsável por 2% das publicações científicas no mundo, e por 0,2% das patentes – isso significa que a inovação no país é 10 vezes menor que a produção científica.". Se o problema está na qualidade inovadora da produção científica nacional, nossa ufana criatividade não tem prestado a nada.

O relatório de referência, preparado pela Intelligence Unit, da revista semanal inglesa The Economist, intitulado A new ranking of the world's most innovative countries, aponta que o Brasil caiu mais uma posição nesse ranking em 2008, ocupando um distante 49o. lugar (de um total de 82), atrás de países como Portugal (33o.), Argentina (41o.) e Cuba (44o.). O ranking considera não apenas a quantidade de patentes requeridas nos EUA, Europa e Japão, mas também a estrutura de pesquisa e desenvolvimento presente em cada país e o nível técnico da força de trabalho, capaz de promover a inovação.

Parte que mais afeta nosso foco nessa crise de inovação, é a inanição do governo eletrônico. Esse desalento foi mesmo apontado pelo Vagner Diniz, na abertura do CONIP 2009, quando declarou que "o e-gov está morto". Em nosso entendimento, morto está o termo e a forma de praticar, pensamos em i-Gov, inovação em governo, onde a porção "eletrônica" ocupa seu espaço instrumental, sem distrair o bom senso estratégico e inovador que deve prevalecer na dinâmica de governo.

No mesmo evento, em outra palestra, foi citado um outro ranking, preparado pela ONU sob o título United Nations e-Government Survey 2008 From e-Government to Connected Governance, comentado aqui anteriormente, onde o Brasil ocupa a 45a. posição na tabela de 2008. Há seis anos, em 2003, tínhamos o 18o. lugar em melhores práticas nesse mesmo ranking. Ora, alguma coisa está acontecendo desde 2003 e ainda não percebemos.

Ao comparar os dois relatórios percebo que entre os vinte países mais inovadores estão os dez primeiros em melhores práticas de governo eletrônico, ou de inovação em governo. Começa a ficar clara a ligação de que países mais inovadores em tecnologia, métodos e processos científicos conseguem ser os mais inovadores em gestão governamental.

Ou o inverso é mais verdadeiro ?

Uma das vantagens na inovação que utiliza tecnologia digital é a facilidade com que pode ser reproduzida, ou seja, uma iniciativa-modelo em determinada área pode ser copiada para outra, ainda com os ganhos de um sistema já testado. Diferentemente no mundo físico, quando o governo cria um hospital ou escola modelo, sabemos que dificilmente o modelo se reproduzirá, visto que envolve custos de construção, equipamentos e manutenção, não suportados por outros projetos.

O Reino Unido tem um modelo de avaliação de serviços públicos, o Patient Opinion, que é referência mundial em participação cidadã na internet, na medida em que, através de um site, o paciente atendido pela rede pública de saúde avalia o serviço prestado e a qualidade do atendimento, as instalações, o tratamento, enfim os diversos aspectos de sua passagem por esse serviço, contando sua história de modo a servir à administração e aos demais cidadãos. 

Esse modelo agora será reproduzido e ampliado aos demais serviços públicos britânicos, através do projeto Working Together, lançado nesta semana pelo Primeiro Ministro Gordon Brown, que sintetiza o princípio do projeto ao declarar que "Estamos no início de um novo mundo na prestação de contas, no qual os pais, os doentes e as comunidades locais formam os serviços que recebem, assegurando a todos que os nossos serviços públicos não estão apenas na mão do governo, mas representam a voz do povo local.".

A partir de maio estarão disponíveis ferramentas online para que o cidadão possa avaliar e comparar o funcionamento dos serviços municipais e, a partir de 2010, os pais poderão registrar no site o seu  feedback  sobre o sistema de educação e os serviços prestados nesta área aos seus filhos.

Algo assim está sendo pensado pelo Governo do Estado de São Paulo, a funcionar no Portal Cidadão.SP, com um mecanismo de avaliação da informação e da prestação dos serviços sendo utilizados pelo cidadão paulista, porém sem data marcada para implantação.

No ano passado, noticiamos aqui a proposta do CORDIS para que 2009 fosse o Ano Europeu da Criatividade e Inovação, dando início a estratégia de tornar a Europa um continente líder na economia do conhecimento. Era abril e a crise econômica mundial não estava acentuada ou quase nada sabíamos, além de algumas dificuldades no mercado hipotecário americano.

Com o estouro da crise, afetando incisivamente a Europa, cheguei a pensar que esse grande evento da inovação pudesse ser cancelado ou submeter-se a um patamar de menor vulto; subestimei o espírito inovador do velho mundo. 

O Ano Europeu da Criatividade e Inovação foi lançado oficialmente em 7 de janeiro, em Praga, com a primeira reunião de trabalho no último dia 16 de fevereiro, em Bruxelas, tendo como mensagem-chave que "Criatividade e inovação contribuem para a prosperidade econômica, bem como para o bem-estar social e individual".

Nesta semana, nos dias 2 e 3 de março, a Comunidade Européia volta a se reunir em Bruxelas para a exibição das Melhores Práticas do Programa Europeu, cujo documento está disponível aqui e reúne a descrição e ficha técnica dos projetos de maior destaque, tendo em comum a possibilidade de serem facilmente "copiáveis" por outros governos. 

Na introdução ao documento, o Comissário Europeu para Educação, Capacitação, Cultura e Juventude, Ján Figel´, faz uma pontual abertura, que a seguir reproduzo:

"A crise financeira e econômica que veio à luz tarde em 2008 é o tipo de desenvolvimento extremo, que requer uma indispensável qualidade em busca de soluções: criatividade. Precisamos de criatividade para encontrar a melhores respostas. 
Mas criatividade não é apenas útil em situações de crise, é claro. Criatividade e capacidade inovadora trazem cruciais benefícios a longo prazo para a economia, a sociedade, as empresas, bem como para as pessoas. Inovação e criatividade são pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e o crescimento social."


Recomendo também a visita ao site português do Ano de Criatividade e Inovação em que, entre outros, traz o interessante artigo Uma Nova Rede para Portugal, de Francisco Jaime Quesado, Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento, no qual propõe um Portugal 2.0 e assim conclui: "O desafio 2.0 tem que ser desenvolvido. Fazer de Portugal  a Oportunidade Possível dum país onde o Conhecimento e a Criatividade sejam capazes de fazer o compromisso nem sempre fácil entre a memória dum passado que não se quer esquecer e um regresso a um futuro que não se quer perder". 

Para quem, como eu, viveu os anos de crise e alta inflação no Brasil, sabe muito bem que a criatividade de nossos executivos e dirigentes sempre foram admiradas no exterior. Uns enxergam só a crise, outros conseguem ir além e perceber a oportunidade.

Quando se fala em serviços eletrônicos, tenho em conta que o governo de Cingapura foi quem fez o primeiro portal organizado por eventos de vida, dedicado ao cidadão e serviços públicos, lá em 2004, com o inovador e bem-sucedido e-Citizen, que serviu de base para que montássemos aqui em São Paulo o Cidadão.SP e outros governos, como a França com o Service Public, também o copiassem como um modelo de government to citizen (G2C).

Inovando continuamente, Cingapura lançou em 2005 o myecitizen, um portal personalizado para que cada cidadão pudesse ter em sua página exclusiva e segura, todos os registros e transações que faz com o governo. O myecitizen era, e ainda é, o case mais próximo que um governo já chegou do CRM - Citizen Relationship Management. Com todos os avanços cingapurianos já comentados aqui, ficou impossível acompanhá-los: são rápidos, competentes e sabem o que os serviços online podem fazer.

Uso o exemplo do myecitizen toda vez que quero falar sobre inovação na relação governo-cidadão na web. Mas era um exemplo solitário, um caso isolado, quase uma dádiva daquela cidade-estado asiática. Notícia boa: a França também fez e chama-se Mon Sérvice Public.

Lançado em dezembro de 2008, o portal francês estava em desenvolvimento e testes desde 2006. Foram dois longos anos para que o governo entregasse aos seus cidadãos um mega-serviço online.

No Mon Sérvice Public, o cidadão pode criar uma conta onde registra seus dados pessoais uma única vez e compartilha esses dados com os vários órgãos da administração. Assim, o cidadão tem em seu site, seguro sob login, os serviços públicos relacionados diretamente com seu interesse, como documentos, impostos, seguridade social e outros, mas de forma personalizada, já que o sistema reconhece-o como cidadão único, independente de qual órgão do governo se relaciona.

Este conceito de cidadão único reduz trâmites e a complexidade administrativa, eliminando por exemplo que o cidadão seja só motorista ou proprietário de carro para o DETRAN, segurado para o INSS, contribuinte para a Receita e assim por diante. Um cidadão único para um governo unificado.

Como para usar o site é necessário ser cidadão francês, conheça esse novo serviço francês com o tour, que pode ser acessado aqui. 

Um verdadeiro e constante desafio à inovação, tanto em governo quanto nas empresas, está em implantar e gerir um CRM - Citizen (quando governo) ou Customer (quando empresa) Relationship Management. A Gestão de Relacionamento com o Cidadão ou com o Consumidor, é uma daquelas idéias geniais, cuja aplicabilidade e solução parece-nos inequívoca e que, entretanto, não se consegue atingir, mesmo com toda a tecnologia a nosso favor, com analistas de informática e representantes do setor nos indicando a facilidade de implantarmos um sistema desses. 

Acontece também com outras soluções gerenciais paralelas ou correlatas, como o cartão do cidadão, o agendamento eletrônico de consultas médicas, os sistemas de avaliação de desempenho, planos de carreira e tantos outros que já assistimos, e por vezes participamos, que chegam sempre a resultados bastante aquém do desejado.

Quanto ao CRM, estou acompanhando mais uma tentativa na área pública, desta vez em Cascais, explêndida vila à beira-mar na região de Lisboa, cujo projeto CRM, iniciado em dezembro de 2007, está em fase final, após o investimento de 200 mil euros e pretende concluir neste semestre, com a integração dos serviços ao balcão único na Loja do Munícipe (espécie de Poupatempo, só que municipal).

Note que Portugal já tem as Lojas do Cidadão como o principal órgão de atendimento presencial em terras lusitanas, porém em nível nacional; agora percebe-se uma tendência dos governos municipais ou distritais, a criarem lojas sob sua competência e gestão, aproximando-se mais dos cidadãos na prestação dos serviços. Outra iniciativa portuguesa em central de atendimento municipal está em Portel, no Alentejo, que inaugurou no último dia 2 sua primeira Loja do Munícipe.

Por aqui, ainda me pauto no exemplo da perfumada cidade de Lençóis Paulista, que conheci há uns três meses e que praticamente resume com sucesso alguns itens deste post: a prefeitura de lá implantou um sistema de governança municipal, envolvendo cartão do cidadão, CRM, agendamento de consultas, georeferenciamento e outros integráveis, com gestão operacional de uma central de atendimento municipal. O mais perto de um modelo que conheci até agora.

E para quem quer conhecer mais um pouco sobre CRM para cidadão e soluções anti-burocráticas, recomendo a leitura do livro One Size Fits Few: Using Customer Insight to Transform Government, para download gratuito. 


No Reino Unido, o Department for Innovation, Universities and Skills tem atuado nos três principais segmentos de inovação: científico (envolvendo universidades e centros de pesquisas), empresarial e serviços públicos. Neste último, foco deste blog, o departamento britânico deixa transparente que sua abordagem em inovação envolve desde ações estratégicas - como a formulação de políticas de inovação, considerada "vital para aumentar a nossa competitividade, melhorar a nossa economia e a nossa qualidade de vida" - até ações operacionais, como a criação de dashboards para o NetVibes. 

Esses dashboards, em linhas gerais, foram a solução britânica para a criação de pequenas salas de situação virtuais, orientando que as instituições públicas tenham sempre uma página síntese sobre seus interesses, com notícias atualizadas automaticamente e em tempo real. Muito simples e muito eficaz, veja aqui o documento que orienta o uso.

O DIUS também desenvolveu de forma colaborativa e participativa o Innovation Nation: Interactive, um documento feito a inúmeras mãos, abordando os diversos aspectos da inovação e que agora é publicado, servindo de guia a qualquer governo que pretenda inovar. Destaco o capítulo Innovation in Public Services, que contém nove princípios e vários comentários para a inovação em serviços públicos.

Como é de se esperar, o DIUS também tem um canal no YouTube e de lá retirei o vídeo abaixo, sobre serviços públicos eletrônicos.



Dedicamos anteriormente neste blog vários posts à campanha eleitoral de Barack Obama, elogiada pelo uso da internet e das ferramentas sociais, também comentada em nosso podcast, que adiciona os elementos estatísticos e estratégicos que foram recentemente revelados sobre essa vitoriosa campanha.

Entre as revelações, a NewsWeek está publicando online uma enorme reportagem em sete partes, contando os bastidores da campanha, que inclui alguns toques da estratégia web e os conflitos entre crackers.

Também sobre os bastidores webelections, o Chicago Tribune exibe fotos e comentários do comitê de campanha, apresentando Chris Hughes, jovem de 24 anos e um dos fundadores do FaceBook, que ganhou o posto de "guru da campanha online". Não esqueçamos que em 2007, o então senador Obama teve um encontro com Marc Andreessen, aquele que criou o Netscape e o portal de rede social Ning, justamente para aprender sobre ferramentas sociais. Esse encontro é relatado por Andreessen em seu blog.

Entretando, passada a ressaca das eleições, é hora de olharmos a transição; e neste ponto a equipe do presidente eleito também não decepciona.

Eu já havia acessado o White House Transition Project, que existe desde 1997 e relata todas as transições presidenciais, oferecendo um acervo de recursos e documentos, entre eles o "Recommendations for an Effective 2008 Transition", de Clay Johnson, executivo de governo e quem cuidou da transição Clinton-Bush.

Mais recentemente conheci o The White House 2, que está colhendo adesões à propostas para os primeiros 100 dias de governo Obama, onde o cidadão pode votar as prioridades. Interessante site que mostra em segundo lugar, entre as prioridades que devem ser cuidadas pelo presidente, fazer com que os USA sejam líder em "empregos verdes" e inovação (Make the U.S. a leader in green jobs and innovation). Isso combina muito com o que o Pepe escreveu no post anterior.

Agora, no dia seguinte ao resultado das eleições, a equipe de Obama colocou no ar o seu site de transição The Obama-Biden Transition Project que, além de apresentar a evolução da nova administração, a agenda de prioridades do novo governo, as nomeações e ocupações de cargo, convida a interação do povo americano com duas frases-chaves: "Conte-nos sua história" e "Compartilhe suas Idéias". Ambas propõem ao usuário participar ativamente deste momento histórico.

Sabemos que nada disso surge de repente, do improviso. A campanha de Obama, iniciada há 22 meses tem, no mínimo desde julho último, preparada a estratégia da transição e posse, não por presunção, mas porque um candidato que não se prepara para assumir o cargo, no mínimo seis meses antes, não está preparado nem para ser candidato, como recomenda Clay Johnson. Se o uso de ferramentas Web 2.0 foi importante na campanha, também deve ser utilizado na transição, como recomenda e instrumentaliza o excelente artigo de Mark Dapreau.

E também, é claro, deve ser utilizada na gestão, logo após a posse. Vamos acompanhar.
Se a sequência eleições-transição-gestão do novo governo americano seguir com coerência o uso colaborativo de idéias e conhecimento, talvez tenhamos um inovador modelo de gestão, concentrando e usando conceitos de economia de colaboração, cauda longa, emergência, ferramentas sociais, convergência tecnológica e tudo aquilo de bom que surgiu nos últimos oito anos, mas não tínhamos ninguém para liderar.
Apesar de não ser simpático às nomenclaturas que dão às gerações, muito utilizadas pelos estatísticos e marketeiros - que criaram rótulos como os baby bommers, que foram sucedidos pela geração X e que agora cedem espaço para a geração Y  - é impossível negar que essas diferenças comportamentais, de consumo, crença e valores, sejam cada vez mais influenciadas pela tecnologia na sociedade. Então, o que acontece na nova geração ? Quais ferramentas usam para se expressar ? A vídeogeração não é mais espectadora, é produtora.

A organização não governamental britânica
DEMOS, que tem por princípio ser um "catalizador de idéias da democracia cotidiana", publica estudos e organiza eventos focados para os movimentos sociais e democráticos, que apresentam os desafios da participação cidadã dos jovens e seus métodos nos dias atuais. Assista o vídeo abaixo criado pela DEMOS.


A DEMOS, como parte desse estudo, também publicou o delicioso relatório de Celia Hannon, Peter Bradwell e Charlie Tims, todos da European Cultural Foundation, chamado Video Republic. Esse estudo, gratuito para download, coloca os fatos e argumentos desta geração conectada, usuária e produtora de vídeos através de webcams, celulares e câmeras de bolso de baixo custo e alto impacto, que não se incomodam com a imagem tremida ou com pouca luz, mas se preocupam em mostrar e denunciar a realidade ao seu redor.

As novas gerações e as novas tecnologias talvez tragam consigo a nova democracia, uma nova república... algo além de novos consumidores. Antes dizíamos que informação é poder; agora, como diz na abertura do vídeo, contar histórias é poder.

E o governo nisso ? Eu havia comentado em outro post sobre a posição da ministra da Educação e Política Social de Espanha sobre a obrigação da administração pública em compreender e usar esses canais, agora o Video Republic inglês afirma que "os governos procuram solucionar os resultados coletivos, influenciando a cultura em que vivemos; também eles vão ter de encontrar novas maneiras de comunicarem-se com pessoas através da Video Republica."

Parece que, ao menos no Reino Unido, essas novas maneiras de videocomunicação já estão adotadas, tanto pelo Primeiro Ministro quanto por Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II.


A propósito, em 1958 na Inglaterra, essa mesma rainha transmitiu a primeira mensagem real de Natal pela TV, desejando naquela ocasião que "o novo meio torne a minha mensagem de Natal mais pessoal e direta. O fato de alguns de vocês me verem hoje é um exemplo da velocidade que está mudando o mundo".


Sim, está mudando e muito mais veloz quando os governos são lentos.


Duas áreas importantes e, em geral, com o maior contingente de funcionários na administração pública, são Educação e Saúde. Reportamos anteriormente o modelo espanhol em educação, com a Escola 2.0, e agora acredito que já podemos identificar sinais de um Hospital 2.0, desta vez no Reino Unido.

Percebi esses sinais quando conheci a portuguesa Ana Neves, radicada em Londres e editora do portal KMOL,  por ocasião do evento KM Brasil.  Em sua palestra sobre ferramentas sociais, um dos exemplos que ela destacou, foi colhido da experiência na Inglaterra e refere-se ao Patient Opinion.

Trata-se de um site-comunidade de serviços públicos, que incentiva a colaboração e inovação nos serviços de saúde britânico, a partir da participação e opinião dos pacientes e usuários desse sistema.

As primeiras mensagens na home do Patient Opinion já anunciam o propósito do serviço online: "Sua história pode mudar o Sistema Nacional de Saúde. Diga a todos o que aconteceu. Veja o que outras pessoas estão dizendo. Como essas opiniões estão mudando o sistema de saúde.". Daí é que questões como atendimento, enfermaria, consultas e tantas outras são contadas pelos cidadãos e aproveitadas pelos dirigentes públicos para a melhoria do sistema.

Uma ação sem intermediários, sem ombudsman ou ouvidorias, compartilhada por todos e resolvidas por quem de direito. Algo prático, transparente e democrático. Veja, por exemplo, que desde o uso do mecanismo de busca  até a leitura da opinião de outros usuários da rede hospitalar, o cidadão é incentivado a opinar, a comentar as propostas e a conhecer o ranking de avaliação dos serviços, que inclui o padrão de cuidados médicos, limpeza, estacionamento, tratamento com respeito e dignidade, como mostra a figura a seguir.



Pois é, está comprovado que compartilhar histórias pode melhorar a prestação de serviços públicos e o uso da estratégia web 2.0 facilita a implantação.

A consultoria americana Awareness, sediada em Massachusetts, especializada em ferramentas web 2.0 - blogs, wikis, rss, tags, comunidades, podcasts, videocasts, mapping, mashups... e por aí em frente - publicou um estudo sobre tendências e boas práticas, sob o título "Trends and Best Practices in Adopting Web 2.0 in 2008".

É de fato um white paper, com a objetividade que o nosso tempo exige, sem contudo cometer leviandades de observação. Trata-se da segunda edição de uma pesquisa que tenta apurar o uso estratégico e operacional dessas ferramentas w2, com avaliação dos bons e maus resultados, algo que também chega a sugerir melhores decisões na escolha. Como por exemplo, a utilização de wikis que, segundo o relatório, tem maior sucesso quando utilizados em ambiente interno, na produção de conhecimento corporativo.

Faço destaque a três aspectos interessantes do estudo:
- na divisão entre mídias externas (external-facing) e internas (internal-facing), 70% das empresas pretendem empregar ou manter blogs para comunicação externa e 55% querem implantar redes sociais no ambiente interno;
- o crescimento do percentual de empresas que, neste ano, passaram a permitir que seus empregados usem as mídias sociais durante o expediente, de 37% em 2007 para 69% em 2008; e
- o uso de vídeo (Youtube, Vimeo e assemelhados) tem sido encarado, por 48% dos entrevistados, como a aplicação número um em boas práticas empresariais.

Esses números vão crescer, é claro, talvez a ponto de contagiar a administração pública. Continuo, até que me provem o contrário, pensando em governo 2.0 como parte da solução.

Os últimos cinco anos tem revelado um Portugal moderno e inovador, com governantes antenados na aplicação de tecnologias para a melhoria da gestão. Comentamos aqui anteriormente algumas práticas de nossos amigos lusos, como a segunda geração da Lojas do Cidadão, o SIMPLEX e o próprio Portal Cidadão, que coloca em ótima posição o governo português em termos de inovação.

A empresa de telecomunicações Ericsson realiza anualmente estudos de benchmarking na China, Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Brasil, Japão e Suécia, visando apurar a realidade do mercado de seu segmento e, neste ano de 2008, incluiu Portugal em seu foco, apresentando informações surpreendentes sobre o mercado português na perspectiva do consumidor, em comparação com o mercado global.

Algumas delas: 2/3 dos portugueses tem computador em casa, 22% dos consumidores têm acesso aos quatro serviços/tecnologias (internet, telefone móvel, telefone fixo, televisão), 33% têm telefone móvel, internet e telefone fixo em casa, 51% dos lares tem ligação à internet e, acreditem, Portugal é líder em utilização de banda larga, ultrapassando proporcionalmente todos os países monitorados pela Ericsson, inclusive os EUA.

Mas isso não acontece sem querer ou por conta do próprio mercado. Antecede a todo esse estado de desenvolvimento e inovação, uma política pública sobre uso de TICs, que deu origem ao Plano Tecnológico Portugal a Inovar. Em Portugal, redes de nova geração são prioridade de governo, existe um plano e existem os indicadores e metas de sua realização, agrupados em três eixos: conhecimento, tecnologia e inovação.

Ao visitar o site do plano já se percebe o foco nos resultados: todas as escolas públicas estão ligadas à internet em banda larga desde 2006, todo o país tem cobertura em alta velocidade, 500 mil alunos do ciclo básico vão receber gratuitamente notebooks com acesso à rede, e tantas outras medidas para o cidadão, para a empresa, para a administração pública e para o desenvolvimento científico.
Aproveitando o tema Portugal e também porque hoje é sexta-feira, recomendo pegar na locadora o adorável filme DOT.COM.
Não cabe aqui, nem a mim, pronunciar sobre a recente decisão do TST – Tribunal de Superior do Trabalho, considerando que “não há ilicitude no ato da empresa que acessa caixa de correio eletrônico corporativo de empregado”, ou seja, não há privacidade ou sigilo se o computador e o acesso à rede não pertence ao empregado, mas é propriedade da empresa.

Contudo, me incomodaram as recomendações fornecidas à imprensa pelo relator do agravo, ministro Ives Gandra Martins Filho, em que sugere que as empresas e os órgãos públicos façam como o TST e restrinjam o acesso à internet pelos funcionários, proibindo qualquer contato com Orkut, blogs, Youtube, MSN ou sites de pornografia, por exemplos.

Note que, ao colocar uma aplicação num mesmo cesto da pornografia, dá-nos a impressão de que as comunidades do Orkut são povoadas por pedófilos e tarados, que os blogs são criados e mantidos por exibicionistas, que o Youtube é um festival de sexo explícito, ou ainda, que o MSN foi criado para a sedução. Isso não é exagero, é mentira.

Como diz o Pepe, fazer com que o empregado trabalhe não é tarefa de “proxy”, é tarefa do chefe. Confiar a identificação de maníacos e estranhos no ambiente de trabalho ao “sistema de segurança da rede” é uma grande besteira, isso é missão para departamentos como os de gestão de pessoas.

Atribuir à internet uma função desqualificada e imoral é negar todas as virtudes da rede, inibir ou restringir seu acesso significa obstruir o desenvolvimento do pensamento, da pesquisa e da mudança organizacional.

Acredito que aqueles que pensam como o ministro devam rever suas posições e acessar as boas práticas em vários países apresentadas neste e em tantos outros blogs e sites. Verão que existem empregados de escritórios e repartições públicas que trabalham mais, melhor e com qualidade de vida porque estão conectados irrestritamente.

POST POST: A Comissão de Educação e Cultura do Parlamento Europeu, a respeito do pluralismo dos meios de comunicação, elaborou e aprovou um interessante relatório, que está sendo chamado o Estatuto da Blogosfera, cuja versão em português pode ser acessada aqui.
As aplicações da web 2.0 no setor governamental tem sido o mote recorrente nos recentes congressos e noticiários de inovação em governo, apontando para a necessidade de avançar em sua aplicação nas instituições públicas.
Falta-me ainda uma reflexão mais profunda acerca da implicação democrática, das metas de transparência e da participação cidadã, possíveis e fáceis com a web 2.0, sobrepondo-se aos objetivos mediatos de serviços públicos que caracterizaram o e-gov nesses doze anos de prática do governo na internet. Em outras palavras, o e-gov priorizou a migração de serviços públicos para a web, enquanto que o i-gov prioriza a relação governo-cidadão concentrando o foco neste último.

Outras características e necessidades emergiram nesse tempo e o grau de maturidade da web 2.0, acumulados esses três anos de prática, nos permite desmentir os incrédutos opositores da mudança na grande rede, que afirmavam não passar de modismo.

A busca por padrões ou modelos de serviços públicos eletrônicos, encontra hoje respostas com baixos custos e rápidas implementações, dispensando a complexidade (de estrutura e valores) exigida pelas empresas públicas de informática, em qualquer esfera de governo. E isso, por si só, já representa mudança.

O Governo 2.0, em termos conceituais, toma por base a incorporação de novas tecnologias como soluções da prática institucional pública, capaz de acompanhar o processo de mudança de uma sociedade aberta e atual. Essas soluções baseiam-se em:

Gestão centrada no cidadão: colocando o cidadão - suas necessidades, anseios e expectativas - no centro da configuração dos serviços públicos. Veja a iniciativa
e-Citizen Charter do Governo da Holanda e a concepção do Gov 360 graus do Governo de São Paulo.

Governo único e em rede: a forma com que o governo se apresenta ao cidadão, mesmo organizado departamental e funcionalmente, deve representar metas e atitudes comuns. Por outro lado, a gestão do conhecimento e a transmissão de idéias e soluções entre os órgãos de governo, permitem atingir padrões de prestação de serviços e melhorias de desempenho em toda a administração.

Coprodução de serviços: modelo em que os usuários de serviços públicos participam de forma ativa no seu planejamento, adaptação e manutenção. Veja o magnífico exemplo da
Escola da Ponte.

Funcionário web: a mudança tecnológica e ambiental impõe também a necessidade de mudança no modelo mental de trabalho, em níveis organizacionais e pessoais, sendo este último prioritário para a implantação de novas habilidades e atitudes baseadas na colaboração.

Facilidade de uso: os quesitos de usabilidade devem sofrer uma adaptação que considere a interatividade e participação do cidadão como fator de sucesso, ou seja, a comunicação ativa não se baseia mais em e-mail ou formulários, mas em inclusão de conteúdos em páginas de governo. Tais quesitos também estendem-se da web para as demais modalidades de atendimento (presencial, telefônico, etc), adequando as circunstâncias de atendimento à necessidade do usuário do serviço.

Novas métricas de qualificação dos serviços eletrônicos: foi comum até agora medirmos a eficiência dos serviços em termos de investimento e retorno financeiro, calculando economias para o governo e para o cidadão. Penso que isso seja mesmo importante, porém medir a qualidade dos serviços deve passar pela satisfação do usuário e a melhor utilização do meio adotado de prestação.

Distinguem-se nessa abordagem, a respeito das aplicações de governo 2.0, no mínimo duas categorias:

Aplicações para a melhoria de serviços públicos: informações atualizadas sobre criminalidade e espaço geográfico cidadão (Chicago e Citix), processos de revisão de patentes (Peer to Patent), informação sobre procedimentos urbanísticos (Planning Alert), geração de informação pública (Gapminder), sistemas de diálogo com os usuários para a melhoria dos serviços públicos (Patient Opinión), etc. Um outro exemplo, já clássico, da utilização Gov 2.0 está no wiki das agências de inteligência dos EUA, que racionalizou seu sistema de informação através do Intellipedia. Estas e outras referências aqui citadas, podem ser encontradas no Joint Research Centre, nos artigos do David Osimo já citado em post anterior e no Global e-Government Survey 2008 publicado pela ONU.


Aplicações para a melhoria de políticas públicas: por vezes tenho a impressão de que, em se tratando de políticas públicas de tecnologia de informação, o governo é o cachorro correndo atrás do rabo. Sem conquistar espaço na agenda política do Estado, vive reativamente a demandas que, quando se pronunciam, pedem por soluções ultrapassadas e daí se afasta mais e mais em participar da pauta de governo. Uma interessante iniciativa é o projeto catalão TicCities, sobre como utilizar as TIC para melhorar as políticas públicas de competitividade local, disponível no relatório Best Practices eGovern local.


Quanto ao uso de ferramentas web 2.0 (blogs, wiki, podcasting, ferramentas de compartilhamento, espaços virtuais como o Second Life, redes sociais, micro-blogging, etc.), apenas iniciamos o debate, tanto aqui quanto no exterior, apresentando propostas e experiências que temos praticado, como no
iGovSP, cujo lançamento oficial está previsto para o dia 19 de junho.

Na sociedade atual, as formas de comunicação, relação e geração de conteúdos estão se dando a cada vez com maior naturalidade e intensidade, por isso é desejável que a administração pública também assuma essas novas formas de gerar e compartilhar informação e conhecimento.

Os planos de modernização administrativa caducaram, quer pela banalização da palavra, quer pelo seu anacronismo em tempos do tempo real. Pensar o hoje é para agir hoje, para agir a longo prazo temos que pensar e planejar a longo prazo, mas as ações iniciam agora. Veja o plano neo-zelândes e suas mensagens estratégicas incluindo valores da web 2.0.



Do ponto de vista organizacional, vemos iniciativas interessantes na Espanha onde, além do
Ministério da Inovação, implantou em Bizkaia (Bilbao) o Departamento de Inovação e Promoção Econômica, constituído por técnicos que buscam colocar em prática uma nova relação com seus cidadãos, provedores e colaboradores, e lá criaram um blog e um wiki para compartilhar sua experiência de implantação da cultura 2.0 no ambiente de governo. Em São Paulo, algo semelhante acontece com o Grupo de Apoio Técnico à Inovação, vinculado à Secretaria de Gestão Pública.



De fato, estamos num momento bastante oportuno para novas propostas, algumas arrojadas, outras mais tradicionais, mas em comum a demanda por soluções políticas capazes de trazer o governo para os novos tempos, que requerem ao menos que se garanta ao cidadão o acesso à tecnologia midiática ( banda larga, padrões de usabilidade e acessibilidade, mobilidade, etc.) e a integração de habilidades sociais na formulação de ferramentas de governo.

Por fim, vale lembrar que não se trata de gestão de governo eletrônico, mas do uso racional de ferramentas que considerem a comunicação colaborativa a verdadeira inovação na gestão pública.

O primeiro-ministro britânico Gordon Brown, que possui um site bem montado e interativo e já utiliza o Twitter e o Flickr para sua comunicação com os cidadãos, aderiu também ao YouTube. Em um canal chamado Ask The PM, Brown vai responder a perguntas enviadas pelo público, por meio desse site de vídeos.

As questões podem ser enviadas até o dia 21 de junho. Devem ter “menos de um minuto e sem conteúdo político-partidário” e somente cidadãos britânicos podem enviar perguntas.


Em uma conferência na Google em Londres, o primeiro-ministro falou sobre o uso das novas tecnologias para melhorar o serviço público e, entre outras, elogiou a utilização de crime mapping, que já comentamos aqui o excelente modelo nacional do Citix.

Aliás, na próxima semana, de 26 a 28, teremos em Brasília o
I Congresso CONSAD onde o pessoal do Citix, representados pelo Dr. Marco Antonio da Silva Costa e pelo Prof. Silvio Meira, estarão apresentando esse bem sucedido projeto. Nesse mesmo painel estarei defendendo um trabalho que escrevi com Sergio Bolliger sobre o uso de ferramentas web 2.0 pela gestão pública.

Fechando com esse tema, quero recomendar o estudo
Web 2.0 in Government:Why and How?, do excelente David Osimo e, de quebra, coloco a seguir o slideshow de uma palestra do Osimo sobre o uso de mashups por governos.

O Plano Europeu de Inovação, conhecido como i2010, publicou no último dia 17 no relatório de título quilométrico "COMMUNICATION FROM THE COMMISSION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS" da Comissão Europeia , que sessenta por cento dos serviços públicos na União Européia estão totalmente disponíveis na Internet.
Os dados estão no relatório de progresso da CE relativo às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), revelando também que mais de metade dos europeus, número que ultrapassa os 250 milhões de pessoas, utiliza regularmente a internet, 80% desses através de banda larga.

Outros campos avaliados pelo relatório mostram que dois terços das escolas e metade dos médicos existentes nos 27 Estados membros utilizam ligações de alta velocidade para acessarem à rede, algo que é justificado pela CE como sendo obtido graças "ao forte crescimento da banda larga na Europa".

As principais conclusões do relatório revelam ainda que no ano passado surgiram no espaço comunitário 40 milhões de novos usuários regulares da internet, mais de 96% das escolas já se encontram conectadas à rede mundial, dois terços com banda larga, 57% dos médicos enviam e recebem dados dos pacientes por via eletrônica e 77% das empresas da UE dispunham de ligações de banda larga.

Portugal está em destaque no que diz respeito à disponibilização on-line de serviços públicos destinados às empresas, que o relatório defende estarem todos na internet.

Um dos dados positivos para Portugal diz respeito à utilização de banda larga nas escolas. Neste caso os dados revelam que mais de 70% das escolas portuguesas contam com conexões de banda larga, valor acima da média européia, que não chega aos 70 pontos percentuais.

Sobre esses resultados a comissária européia para a Sociedade da Informação e Mídia, Viviane Reding, diz em comunicado à imprensa que "é francamente uma boa notícia o fato de 77% das empresas européias, 67% das escolas e 40% dos médicos disporem neste momento de ligações rápidas em banda larga", apesar de realçar que "no entanto, algumas zonas da União Européia estão ainda distantes desses níveis, não se encontrando plenamente ligadas". Para Viviane Reding a solução passa por "intensificar os esforços para corrigir os desequilíbrios, melhorar os serviços de comunicações transfronteiras e criar serviços que cheguem também às regiões rurais e remotas".
Parece que a Espanha está pisando no acelerador do setor de transportes públicos e inovação tecnológica.
Postei aqui há duas semanas sobre Madri oferecer conexão wireless nos ônibus e agora sai mais uma notícia de m-Gov em Málaga, cidade da região de Andaluzia, no extremo sul espanhol.
A Empresa Malagueña de Transportes acabou de aprovar o projeto-piloto e em breve estará lançando o novo serviço de bilhetagem realizado por celular, que além do pagamento, possibilita a comunicação por proximidade (Near Field Communication - NFC).

Com essa tecnologia, o cartão SIM do celular pode armazenar a informação do pagamento e ser lido por leitores eletrônicos instalados nas cabines dos coletivos, como mostra a foto deste post.
Para ficar mais claro, assista o vídeo abaixo.


Enquanto o e-gov dos Estados Unidos sofre o desgaste da inércia, comentado no post anterior, vemos com satisfação a estratégia da Comunidade Européia para os serviços eletrônicos.
Mais do que exemplos, a CE nos oferece modelos de desenvolvimento em governo eletrônico.

A começar pelo site da Europe's Information Society que, de cara, já oferece o conteúdo de cada página em versões para impressão, em áudio online ou em áudio para salvar, este bastante útil para levar no iPod.

Sob o tema de e-gov, o site traz a manchete-título do projeto "Putting citizens first", apresentando o conjunto de ações trans-européias de serviços públicos para o cidadão. É de encher os olhos, uma lógica concreta e interlaçada de projetos.

Tem um link para quatro projetos-exemplos que destacam iniciativas em mobile government, votação online, plataformas de gestão do conhecimento e serviços transacionais, e o HOPS um grandioso projeto em implantação, que automatiza os callcenters públicos por meio de portal de voz, web semântica e processamento de linguagem natural.

Agora o meu destaque vai mesmo para os vídeos que estão sendo produzidos pela CE, a fim de promover o e-gov. Em janeiro eu comentei aqui sobre os vídeos promocionais da Bélgica e da Coréia, mas os apresentados pelo eTEN Project são muito bons e cobrem vários segmentos do governo eletrônico.

Fica também a dica de um vídeo lançado este mês, com o título eGovernment: Better public services for everyone, que usa a linguagem gráfica semelhante ao South Park para divulgar um serviço eletrônico. Assista aqui.
Temos acompanhado aqui com atenção as iniciativas de mobilidade em governo, o m-Gov, na certeza de que a estratégias de prestação de serviços públicos em plataforma móvel devem estar na pauta de qualquer governo. Esse alinhamento emergente das tecnologias pessoais e convergente para a telefonia móvel, beneficia tanto cidadãos quanto a própria gestão.

O caso da SABESP noticiado pela InfoCorporate, é exemplo de interpretação das facilidades tecnológicas aplicadas ao ambiente "hostil" que é o da manutenção da rede de água e esgoto de São Paulo. Segundo a reportagem, as 800 equipes colocadas à rua diariamente para resolver problemas de vazamentos, ligações de água e de esgoto e trocas de hidrômetros "deixaram de sair às ruas com um calhamaço enorme de papéis – requisições, mapas, listagens e documentos. No lugar, carregam um smartphone.", neste caso equipado com wi-fi, camera, GPS e acesso aos mapas da rede de saneamento local.

Com a disponibilidade da tecnologia 3G no país, abrem-se novas oportunidades para a criação e oferta de serviços públicos antes jamais imaginados, uma vez que permite a banda larga móvel e a possibilidade de videochamadas através de aparelhos celulares, entre os serviços mais destacados.

Um modelo interessante de banda larga móvel na área pública está na revista Info deste mês, edição impressa, onde sugere a adoção de celulares 3G como hotspots a serviço da população, afirmando que "em cidades onde a banda larga terrestre não está disponível, celulares 3G vão fazer o papel de roteador e oferecer a internet sem fio em locais como postos de estradas, pousadas e cidades muito pequenas". Talvez o caminho mais rápido para as cidades digitais, penso.

Uma outra aplicação que despertou interesse vem da Universidade de Washington, especificamente do Department of Computer Science and Engineering, que mantém o projeto MobileASL e vem estudando formatos de vídeocompressão para mobiles, tendo por objetivo facilitar o uso de celulares pelo usuário surdo-mudo. Imagino o benefício na prestação de serviço público com esse recurso que, segundo o site do projeto, já foi implantado no Japão e na Suécia.

Sim, mas aí vem aquela conversa toda do preço das tarifas no Brasil, da lentidão das organizações públicas, acadêmicas ou privadas em desenvolver soluções e tudo mais. Reconheço isso, mas animou-me também a reportagem do Caderno Digital, tendo como fonte o Ibope/NetRatings, apontando que 7% da base de usuários brasileiros acessaram a Internet por meio de celulares em 2007 - o que representa 2,8 milhões de internautas. O mesmo caderno ainda destaca que o Brasil está entre os campeões de acesso e que até 2010, 15 milhões de conexões serão feitas via banda larga, sendo 3 milhões por meio de celular.

Se esses números não confirmam a tendência e a necessidade de (des)envolvimento do governo nesse segmento, vamos continuar assistindo o que os demais países protagonizam.