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A cada dois anos acontece na Comunidade Européia, a Conferência Ministerial de Governo Eletrônico, reunindo todos os países membros em torno do planejamento de novos serviços públicos eletrônicos, em benefício do cidadão, do governo e da comunidade. A próxima reunião acontecerá neste 2009, entre 18 e 20 de novembro, em Malmö, ao sul da Suécia, de onde nascerá uma nova declaração de governança eletrônica projetada até 2015.

A declaração de 2007, também chamada Declaração de Lisboa, apoiou e atualizou o i2010, Plano de Inovação em Governo europeu, brevemente comentado aqui, considerado um dos mais arrojados planos intergovernamentais desde a criação da CE.

Para a reunião de novembro, entretanto, haverá uma novidade em termos de participação popular, seguindo o estilo estratégico do governo Obama, comentado em nosso post anterior. Os nossos já conhecidos David Osimo e Paul Johnson, inspirados na estratégia americana de captação de idéias para o fortalecimento colaborativo de propostas inovadoras, criaram o Open Declaration on Public Services 2.0 que, além de blog, conta com um mecanismo participativo de envio e votação de idéias, semelhante ao Open Government Dialogue americano.

Essa plataforma denominada Public Services 2.0, criada com a ferramenta social UserVoice, atende a primeira fase de brainstorm (seguindo a estratégia Obama), e coloca a seguinte questão-teaser aos participantes:
Quais são as principais coisas que os governos da União Européia devem fazer nos próximos três anos, usando a Web para transformar os serviços públicos?
É interessante, ao ver os resultados parciais, que as três primeiras propostas mais votadas referem-se a abertura das bases de dados governamentais ao uso público (open data government).

As contribuições devem ser postadas e/ou votadas até 15 de julho, após o que serão consolidadas até agosto, para serem revistas e comentadas em ambiente público entre setembro e outubro, para que finalmente sejam organizadas e apresentadas na reunião de Malmö.

Contudo, diferente da estratégia norte-americana, esta parte da sociedade civil que, espero, obter representatividade e encontrar ouvidos na Conferência Ministerial.

Apenas como nota, acontece hoje, dia 6, em Londres, o Reboot Britain, que também deve trazer adesões ao Public Service 2.0.

Nos últimos meses estivemos perguntando a personalidades do mundo acadêmico, empresarial e governamental o que é inovação e como inovar em governo, ao mesmo tempo em que nos aprofundamos na estratégia da gestão Obama, como fonte de inspiração e tendência ao que viria na migração do e-gov (electronic government) para o i-gov (innovation government).

As respostas, além de variadas e enriquecedoras, trazem em comum a dificuldade em apresentar um modelo ou exemplo a ser seguido.

Nessa mesma busca pela inovação, o governo americano veio a público, pela internet é claro, para convocar a população que quisesse repensar e propor novas formas de gestão pública, oferecendo não apenas o compromisso da interação, mas principalmente disponibilizando ferramentas de participação, colaboração, transparência e engajamento, de modo a conduzir juntos a inovação em governo.

De fato, essa era a primeira fase de uma revolucionária estratégia que pretende, entre outras coisas, abandonar o modelo de governo eletrônico entregador unilateral de informação, que se vale de um monólogo em sua comunicação com o cidadão para entregar serviços em formato web, do ponto de vista tecnológico, mas formato balcão sob a ótica social, distante do diálogo que a rede permite, aliás mais do que diálogo simples, são os diálogos múltiplos que hoje presenciamos na rede e não encontramos no governo.

A estratégia é então composta de três fases:
fase 1: Brainstorm - A população compartilha suas idéias de como tornar o governo mais aberto e eficiente, tanto postando suas recomendações, quanto votando nas idéias dos demais, através do site Open Government Dialogue. O objetivo desta fase foi atender às seguintes questões:
  • Como as operações do governo podem ser mais transparentes e responsáveis?
  • Como os comitês consultivos federais de legislação, regulamentação e eletrônicos podem ser melhor utilizados para melhorar a qualidade das decisões do governo?
  • Quais modelos alternativos para melhorar a qualidade das decisões dos gestores públicos e ao mesmo tempo possibilite o aumento da participação cidadã nestas decisões?
  • Quais estratégias poderiam ser empregadas para obtermos uma maior utilização da web 2.0 nas agências públicas?
  • Quais políticas estão impedindo a inovação no governo atualmente?
  • Qual o melhor caminho para mudar a cultura de governo, para que compreenda a colaboração ?
  • Quais mudanças devem ser feitas na formação ou contratação de pessoal, que favoreçam a inovação?
  • Quais os modelos de avaliação de desempenho são necessários para determinar a eficácia de uma política de governo aberto?
Com duração de uma semana, entre 21 e 28 de maio, o brainstorm nacional reuniu online 4.208 idéias vindas dos cidadãos, dando início a segunda fase.

fase 2: Discussão - Para a triagem e o aprofundamento das contribuições, bem como a classificação e identificação dos desafios apresentados na fase 1. Para tanto, o governo, por meio do Escritório de Política em Ciência e Tecnologia, montou um blog reportando as discussões e permitindo os comentários e outras contribuições dos cidadãos.

fase 3: Elaboração (Drafting) - Permanece o incentivo à colaboração no desenvolvimento das idéias inovadoras a fim de transformá-las em princípios para ações específicas de governo, com o objetivo de dar respostas a:
  • Quem? - Quem está sendo direcionado para fazer o quê?
  • O quê? - Qual é a recomendação destinada a atingir?
  • Por quê? - Porque é importante?
  • Como? - Como o sucesso é medido?
Esta fase, tida como final na White House Open Government Initiative, será encerrada no próximo dia 6 de julho, entretanto algumas iniciativas de inovação já podem ser vistas (e seguidas) consultando a Galeria de Inovações do Governo Aberto.

Das inovações já apresentadas, a que provoca maior admiração é a Data.Gov. Nesse site, o governo americano apresenta uma plataforma para o Open Data Government, disponibilizando à sociedade suas principais bases de dados, consideradas de interesse do cidadão, em formatos amigáveis como o xml, para que indivíduos, associações, comunidades e empresas possam produzir aplicações web e conhecimento, apoiados em bases governamentais.

Os benefícios, para além dos novos serviços públicos eletrônicos, produzidos pela sociedade e que facilmente veremos em breve, somam-se a transparência efetiva, a inovação científica e educacional e o engajamento cívico que vive seu ressurgimento naquele país. Veja o vídeo promocional:



Creio que será, depois disso, no mínimo, anacrônico discutirmos se o governo deve ou não publicar os salários dos servidores. Também acredito que esteja nessa estratégia a resposta para a morte do governo eletrônico e o surgimento real da inovação em governo.
No ano passado, noticiamos aqui a proposta do CORDIS para que 2009 fosse o Ano Europeu da Criatividade e Inovação, dando início a estratégia de tornar a Europa um continente líder na economia do conhecimento. Era abril e a crise econômica mundial não estava acentuada ou quase nada sabíamos, além de algumas dificuldades no mercado hipotecário americano.

Com o estouro da crise, afetando incisivamente a Europa, cheguei a pensar que esse grande evento da inovação pudesse ser cancelado ou submeter-se a um patamar de menor vulto; subestimei o espírito inovador do velho mundo. 

O Ano Europeu da Criatividade e Inovação foi lançado oficialmente em 7 de janeiro, em Praga, com a primeira reunião de trabalho no último dia 16 de fevereiro, em Bruxelas, tendo como mensagem-chave que "Criatividade e inovação contribuem para a prosperidade econômica, bem como para o bem-estar social e individual".

Nesta semana, nos dias 2 e 3 de março, a Comunidade Européia volta a se reunir em Bruxelas para a exibição das Melhores Práticas do Programa Europeu, cujo documento está disponível aqui e reúne a descrição e ficha técnica dos projetos de maior destaque, tendo em comum a possibilidade de serem facilmente "copiáveis" por outros governos. 

Na introdução ao documento, o Comissário Europeu para Educação, Capacitação, Cultura e Juventude, Ján Figel´, faz uma pontual abertura, que a seguir reproduzo:

"A crise financeira e econômica que veio à luz tarde em 2008 é o tipo de desenvolvimento extremo, que requer uma indispensável qualidade em busca de soluções: criatividade. Precisamos de criatividade para encontrar a melhores respostas. 
Mas criatividade não é apenas útil em situações de crise, é claro. Criatividade e capacidade inovadora trazem cruciais benefícios a longo prazo para a economia, a sociedade, as empresas, bem como para as pessoas. Inovação e criatividade são pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e o crescimento social."


Recomendo também a visita ao site português do Ano de Criatividade e Inovação em que, entre outros, traz o interessante artigo Uma Nova Rede para Portugal, de Francisco Jaime Quesado, Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento, no qual propõe um Portugal 2.0 e assim conclui: "O desafio 2.0 tem que ser desenvolvido. Fazer de Portugal  a Oportunidade Possível dum país onde o Conhecimento e a Criatividade sejam capazes de fazer o compromisso nem sempre fácil entre a memória dum passado que não se quer esquecer e um regresso a um futuro que não se quer perder". 

Para quem, como eu, viveu os anos de crise e alta inflação no Brasil, sabe muito bem que a criatividade de nossos executivos e dirigentes sempre foram admiradas no exterior. Uns enxergam só a crise, outros conseguem ir além e perceber a oportunidade.

Como já mencionamos em outras ocasiões, o surgimento do conhecimento como fator estruturante da economia, neste início de século, tem obrigado países e organizações a repensar suas estratégias, ainda muito contaminadas por paradigmas de uma sociedade industrial que perde sua força a cada dia que passa.

Um novo livro, há pouco lançado nos Estados Unidos, “Who’S YOUR City?”, de Richard Florida, professor e pesquisador norte-americano, apresenta algumas cifras bem interessantes que fornecem um pouco mais de luz para os que se interessam em compreender os complexos fundamentos desta economia emergente, baseada no conhecimento.

Segundo o autor, o sucesso nos negócios na economia global dependerá crescentemente da compreensão do perfil, hábitos e preferências da chamada classe criativa, profissionais ligados aos setores de tecnologia da informação e comunicação, arquitetura, engenharia, educação, treinamento, artes, design, entretenimento, esportes, imprensa, gestão, finanças, saúde, marketing e outras atividades de alta sofisticação.

Dentre as muitas observações feitas por Richard Florida, na obra acima apontada, e em outros veículos de comunicação por ele coordenados ou freqüentados, destacamos três delas para comentar neste espaço:

1. A classe criativa, neste início de século XXI, responde, nos Estados Unidos, por 31% dos postos de trabalho e 50% da massa salarial. As mesmas cifras para a indústria são de 23% e 20% respectivamente. No início do século XX, a industria era, de longe, o setor líder da economia, abrigando mais de 40% da força de trabalho contra apenas 10% dos postos ocupados pela classe criativa. (veja o mapa)


2. Mais do que os países, a economia mundial é hoje explicada por não mais do que 40 mega-regiões. Elas respondem por 17% da população, 2/3 do PIB e 85% das inovações globais. (confira o mapa de inovações)

3. Estas cifras, segundo o autor evidenciam que o mundo não é plano como sugere a obra de Thomas Friedman, e sim bicudo, pontiagudo. As pessoas, os talentos cada vez mais escolhem onde querem trabalhar, e esses locais, pelo conjunto de atributos requeridos, como qualidade de vida, facilidade de acesso, diversidade, opulência cultural, entre outros, são escassos e diferenciados em relação a outros territórios.

Estas observações novamente me trazem à mente a seguinte questão: Será que o Brasil e nossas regiões mais competitivas globalmente estão conscientes dos desafios que teremos que enfrentar para sermos uma nação justa e opulenta, ao final do século XXI? Se existe esta consciência, ela, definitivamente, não aflorou na agenda das recentes eleições municipais. Vamos ver em 2010.

Para concluir, convido-os a dar uma espiada no site do autor, ele dispõe de um conjunto bastante amplo de cifras, mapas e comentários sobre a revolução silenciosa provocada pela classe criativa. Quem tiver interesse, que ponha as mãos à obra, isto é, a cabeça para pensar.
No final de 2006 tive a oportunidade de assistir, em Portugal, ao nascimento da AMA - Agência para a Modernização Administrativa que na época, confesso, me parecia mais um daqueles escritórios criados para apaziguar ânimos e conflitos de competência, visto que entre suas atribuições, a tal agência iria concentrar dois órgãos públicos de ponta no território lusitano: a UMIC e as Lojas do Cidadão. Eu estava errado, ainda bem.

A AMA, além de imprimir novo ritmo aos projetos de sucesso, como a implementação das Lojas do Cidadão 2.0, organizou e vem implementando o Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado – PRACE - e o SIMPLEX. Bons projetos, tanto para empresas quanto para cidadãos estão em desenvolvimento nesse curto tempo de operação da AMA, presidida por Anabela Pedroso.

Agora encontro mais um exemplo dessa competência: a Rede Comum de Conhecimento (RCC), criada para divulgar e compartilhar online casos de boas práticas na administração pública, do ponto de vista da modernização, da inovação e da colaboração. Algo que modestamente tentamos fazer na iGovSP, só que a rede lusa tem mais "musculatura", como diz o Pepe.

De acordo com o próprio portal RCC, a "Rede Comum de Conhecimento é uma plataforma colaborativa de apoio à partilha de iniciativas de modernização, inovação e simplificação administrativas da Administração Pública; disponibiliza informação relevante em áreas como interoperabilidade, governo inclusivo, distribuição de serviços públicos... e dará suporte às redes formais de colaboração e de conhecimento".

Um aspecto que chama a atenção é que a RCC tem por princípio a adesão livre por parte dos organismos públicos, centrais e locais, das entidades privadas e dos cidadãos que nela queiram participar. Quer dizer, cidadão também inova o governo.

Sem pessimismos, vou acompanhar o desenvolvimento da mais recente rede do conhecimento em língua portuguesa e espero postar suas novidades. De início, recomendo a consulta à Mediateca disponível no portal, um tesouro digital aos inovadores em governo.

O leitor habitual deste espaço já observou em postagens anteriores, que os governos, em maior ou menor escala, com maior ou menor grau de timidez, começam a adequar o perfil de suas administrações para os novos tempos do conhecimento e da inovação acelerada.

A criação do Ministério da Ciência e da Inovação, na Espanha, e da AMA – Agência para Modernização Administrativa, em Portugal, são dois exemplos concretos desta nova calibragem, ambos já abordados no iGovBR.

Vamos registrar, agora, mais um caso, o da Coréia do Sul. No início do ano, foi criado, lá, o Ministério da Economia do Conhecimento.

Por que será que uma nação, cujo crescimento econômico recente tem sido considerado exemplo de pujança, cria uma estrutura inovadora deste tipo? Por que será que um pequeno país asiático que saiu do sub-desenvolvimento da década 60 para a atual posição de 16° maior PIB - Produto Interno Bruto do mundo, está preocupado com este tema?

As informações disponíveis no site do Ministério da Economia do Conhecimento e as palavras colhidas no discurso de posse do titular da nova pasta , Lee Youn Hoe, dão algumas pistas para que possamos responder a estas duas questões. A criação novo órgão indica a percepção do governo coreano para o esgotamento de um modelo industrial baseado na energia fácil, na despreocupação com o meio ambiente e centrado, quase que exclusivamente no mercado externo.

Para superar este estrangulamento o novo ministério aponta como principais desafios:

- Diminuir regulações que dificultem a abertura de novos negócios e a atração de capitais externos;
- Privilegiar os segmentos de semicondutores, biotecnologia, tecnologia da informação e de novos materiais;
- Estimular atividades econômicas intensivas em conhecimento;
- Racionalizar o uso de recursos energéticos não renováveis;
- Promover internacionalmente o design industrial coreano;
- Fortalecer os negócios internos não vinculados às exportações.

A criação do novo ministério e esta carta de intenções mostram que o governo coreano está atento às mudanças globais e sabe que, hoje, mais do que nunca, uma nação, por mais bem sucedida que seja, não pode ser dirigida apenas olhando para o retrovisor.

Por outro lado, está claro, para nós, que simples mudanças nos organogramas públicos não bastam para colocar uma nação na trilha do desenvolvimento sustentado. Isto seria simplificar muito a questão. Uma penada bastaria, neste caso, para enriquecer todos os países.

No caso coreano, por exemplo, medidas estratégicas de fundo, como a erradicação do analfabetismo, que atingia um 1/3 dos moradores nos anos 60, e a disponibilidade de uma mão de obra de alta qualidade - cerca de 80% da população atual possui grau universitário - criaram condições para que sonhos mais altos possam, agora, sair do papel.

O Brasil, que ainda não fez essa lição de casa, deve apressá-la se quiser ser, de fato, um país rico e socialmente justo. Paralelamente, suas estruturas governamentais devem estar mais antenadas com esses novos tempos e sinalizar para os investidores nacionais e estrangeiros que país queremos construir.

Neste ponto, a recente criação, no Brasil, do Ministério da Pesca e Aqüicultura oferece um triste contraponto ao exemplo coreano.
Um dos eventos mais importantes da Europa sobre inovação, criatividade e imaginação, para os setores público e privado, é o iFest08 - festival de inovação, versão 2008 - que aconteceu na semana passada em Barcelona, Espanha.

Entre os apresentadores - que vão desde
Andrew Ritchie, o inventor da bicicleta Brompton, até Hiroshi Tasaka, que fala sobre o paradoxo da sociedade do conhecimento e ferramentas web 2.0 - destaquei e incorporei neste post a vídeo-palestra de Nick Leon, diretor da Design London e que durante trinta anos foi projetista, engenheiro e executivo da IBM.

Nick Leon interessa-se por cidades, sobre a geração de inovação e cidades, em como ocorrem essas mudanças, como são criadas as economias urbanas e como se relacionam os nativos com os imigrantes. Em
entrevista ao Infonomia, Leon inicia dizendo que "as principais cidades de economias desenvolvidas, muitas delas com um passado industrial, estão se transformando para converterem-se em provedoras de serviços intensivos em conhecimento.".

Em época de formulação de programas dos candidatos a prefeitos, a apresentação a seguir aborda esses temas e o que as cidades devem fazer para atrair e manter talentos, no que destaca Leon " A questão, para se tornar uma cidade inovadora, não é colocar dinheiro em infra-estruturas, é sim uma questão de estímulo à inovação em todos os níveis.".


Em complemento ao assunto inovação, o site espanhol Infonomia também publica a Revista If, a revista da inovação, da qual recomendo a leitura do artigo "El ‘middleground’ en innovación", de Alfons Cornella, um decálogo interessante.

Por fim, aproveito este post de número 100 para agradecer a seus principais colaboradores: José Antonio Carlos (Pepe) quem regularmente escreve aqui, a Roberto Agune e Sergio Bolliger, quem nos incentivam desde o primeiro post e ao leitor Everson Lopes de Aguiar, atento pesquisador em mobilidade. Vamos comemorar!
A história tem sido assim: instalam quarenta computadores em uma sala da escola pública, disponibilizam acesso à internet e dão o nome de "laboratório de informática". Entrando no mérito de que a utilização de computadores, em geral, não está integrada com os planos de ensino, constatamos ainda um despreparo generalizado de professores, não por culpa de sua formação, mas de sua atualização e reciclagem.
Não estou falando, fique claro, das aulas de informática praticadas nesses laboratórios, que por si justificam o uso, mas das disciplinas mais comuns, como história, geografia, matemática e língua portuguesa, por exemplos.

Como os programas de aula integram-se ao uso de computadores ? De que forma preparam-se professores para tanto ? E os alunos, estão sendo preparados para o uso do meio de comunicação ou só para o uso do computador ? Talvez possamos começar a responder, através do conceito de uso responsável das novas tecnologias.

A Comissão Européia, através da European Schoolnet, que reúne os Ministérios de Educação de 28 países europeus, desenvolveram um portal na internet, o Teach Today, para ajudar os professores a ensinar os estudantes a fazer uso responsável das novas tecnologias, como informa o jornal espanhol El País.

O site, disponível por enquanto em somente cinco idiomas, oferece lições, casos práticos e materiais didáticos, e ainda, dispõe conhecimentos imprescindíveis para ensinar aos escolares como evitar os riscos relacionados ao uso das novas tecnologias, como por exemplo, o assédio virtual ou cyberbullying.

O educador que enxerga a necessidade da integração disciplina-tecnologia, deve encontrar no Teach Today um grande aliado.

Por falar nisso, o Grupo de Apoio Técnico à Inovação, do Governo do Estado de São Paulo, promoverá em junho próximo um encontro, dentro de seu tradicional ciclo de palestras de inovação, com o educador português José Pacheco, conhecido pela referência em educação inovadora, a Escola da Ponte. Mais adiante eu confirmarei a data e local.

Sexta-Feira, dia 11 de abril, foi realizado no Auditório do Edíficio Cidade I, prédio que abriga diversas entidades do Governo de São Paulo, localizado na Rua Boa Vista, mais um evento sobre Gestão do Conhecimento e Inovação no Setor Público.

Este ciclo, que já se tornou uma referência nacional para o público interessado na discussão sobre o estado da arte em modernização do setor público, foi iniciado em 2006. Ele conta com a coordenação geral da
SGP - Secretaria de Gestão Pública, da EMPLASA – Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. e da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento. São também parceiros destas apresentações, a Secretaria de Estado de Economia e Planejamento, a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo e a Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap.

À cada nova apresentação, mais funcionários públicos têm comparecido aos eventos, o que demonstra claramente o crescente interesse que a questão tem despertado. Em 2006, a média de público ficou em torno de 100 pessoas por evento, cifra esta que dobrou em 2007. A palestra inicial de 2008, “Inteligência Organizacional e Societal: Processos, Estruturas e Instituições”, proferida por Sergio Storch, Presidente do Pólo da SBGC em São Paulo, lotou o auditório.

Um dos pontos altos da apresentação foi a discussão sobre a
Wikipédia, ainda desconhecida por muitos dos presentes. A enciclopédia livre da Internet, fundamentada na construção colaborativa não mandatória, é um dos mais eloqüentes exemplos da nova divisão do trabalho que vai se consolidando com o avanço da era do conhecimento e da sociedade em rede. A Wikipédia tem, hoje, alcance mundial, estando disponível em 257 idiomas ou dialetos. Ela abriga 7,5 milhões de artigos, dos quais 372 mil em língua portuguesa. O sítio da enciclopédia é, segundo o serviço de medição de audiência na internet Alexa, o quinto mais visitado no mundo.

O próximo evento do ciclo, “A Espiritualidade nas Organizações”, a ser proferido por Alexandre Caldini Neto, diretor Superintendente das Revistas
Exame, Info e Você S.A. está programado para 16 de maio, das 9:00 às 12:00, no mesmo local. Chegue cedo.
A Comissão Européia avançou com uma proposta para tornar 2009 no ano europeu da Criatividade e Inovação. Esta iniciativa será examinada pelo Parlamento e Conselho Europeu no final deste ano.
Segundo o
Cordis, a Europa quer tornar-se a economia baseada em conhecimento líder do mundo até 2010, o que requer pessoas para desenvolver competências em áreas-chave, como a educação, ciência e a tecnologia, para a construção efetiva de uma sociedade orientada pelo conhecimento.
Com esta proposta, a CE pretende promover atividades que ajudem as pessoas a desenvolver as suas competências relativamente à resolução de problemas e a aplicar os seus conhecimentos e idéias em situações reais. Além disso, visa a promoção da inovação social e empresarial.
A notícia foi dada pelo
iGov Central, podendo ser acessada aqui no original (inglês).
A edição especial de 40 anos da revista Exame, publicada em dezembro de 2007, apresentou uma interessante matéria sobre a importância das cidades na sociedade do conhecimento.

A reportagem baseou-se, primordialmente, em um ranking de cidades formulado pela “Globalização e Cidades Mundiais”, GaWC, na sigla em inglês, grupo de estudos sediado na Universidade de Loughborough, em Liverpool, na Inglaterra.

Alguns aspectos tratados na matéria, mais diretamente vinculados ao escopo deste espaço, merecem nossa atenção e reflexão.

1. Mais importante dos que os países, uma seleta rede de não mais do que 40 cidades, controla e articula toda a produção mundial. Nelas, está o comando do capitalismo pós industrial, que tem na inovação seu principal combustível. Elas formam, nas palavras do cineasta americano, Eric Burns, o “laboratório humano supremo”.

2. O ranking da “GaWC” é liderado por Londres. Depois de ser ultrapassada por Nova York, nos anos 30, do século passado, Londres reassume, agora, o posto símbólico de “capital do mundo”. A abertura econômica, a eficiência do sistema financeiro e a impecável infra-estrutura tecnológica fazem da capital inglesa a cidade mais globalizada do planeta. Ao contrário, o protecionismo e excessos regulatórios, amplificados depois do “11 de setembro”, fizeram que Nova York ficasse para trás em segmentos críticos do sistema financeiro, como os de bancos de investimento, por exemplo.

3. Para que se tenha uma idéia da força da capital londrina, ela dispõe, segundo a consultoria americana Telegeography, a maior infra-estrutura mundial em banda larga, com uma capacidade de tráfego de 2,3 trilhões de bits po segundo. É por essas infovias que circula o conhecimento, a principal riqueza dos tempos atuais. Sem esse recurso, teria sido impossível, para Londres, uma pequena capital situada em uma ilha, tornar-se o maior mercado de câmbio do mundo e executar 70% da venda de títulos da dívida publica global.

4. São Paulo, aparece nessa seleta lista em 14º lugar. Para galgar esta posição, a capital paulista e seu entorno, superaram sua vocação fabril anterior, ingressando no ultra competitivo mundo das metrópoles pós-industriais. Esta região, que responde por cerca de 15 do PIB nacional, tornou-se o centro de decisões corporativas e principal motor econômico-financeiro da América Latina como um todo, batendo Rio de Janeiro, México e Buenos Aires.

5. A posição de São Paulo não é, no entanto, tranqüila. Problemas sérios de poluição, deficiências no sistema de transportes e a violência achatam a qualidade de vida da métropole. Sem atacar de frente esses gargalos, a capital paulista não pode alçar vôos mais altos. A força das grandes cidades, segundo Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, está na capacidade das mesmas em incubar mudanças e liderar inovações. Para isso elas precisam atrair e reter talentos, recursos muito voláteis, que mais do que o salário em si, buscam, cada vez mais, um espaço adequado de trabalho.

A lista completa das 14 cidades mais globalizadas, abordadas na matéria é a seguinte: 1º Londres, 2º Nova York, 3º Hong Kong, 4º Paris, 5º Tóquio, 6º Cingapura, 7º Toronto, 8º Chicago, 9º Madri, 10º Frankfurt , 11º Milão, 12º Amsterdã, 13º Bruxelas e 14º São Paulo.

Veja a matéria completa no Portal da Revista Exame.