Mostrando postagens com marcador e-democracia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador e-democracia. Mostrar todas as postagens
Na edição do podcast Pensando Alto, que gravamos na semana passada, começamos a detalhar o modelo de governo aberto, ou open data government, que brevemente havíamos comentado aqui no iGovBrasil, mas ainda necessita de aprofundamento.

Tenho razões para crer que a inclusão de Open Data na pauta de inovação dos governos é, mais que uma questão de tempo, uma questão de princípios e espírito inovador, capaz de efetivamente aplicar a transparência, a participação e a colaboração na relação governo-cidadão. É, não tenho dúvidas, o melhor a ser feito atualmente pelos dirigentes em governo eletrônico em benefício do governo e da sociedade.

Para os desenvolvedores dos EUA, por exemplo, que usam as bases do Data.gov, a Fundação Sunlight mantém, além de tutoriais, o concurso Apps for America, destinado às melhores aplicações feitas com as bases governamentais, com prêmios que variam de US$ 500 a US$ 10.000 para as ferramentas e APIs desenvolvidas, implantadas e submetidas ao júri, composto por Tim O'Reilly e Chris DiBona, entre outros. Isto apenas ilustra o quanto e como é importante estimular a sociedade, para que novos serviços públicos eletrônicos possam ser produzidos e compartilhados.

Também no Canadá já se percebem iniciativas de Governo Aberto. O site Visible Government, mantido por uma sociedade privada e sem fins lucrativos, promove o desenvolvimento de ferramentas online que visam a transparência de governo e que usam dados apoiados em fontes digitais oficiais.

Entre os projetos da iniciativa canadense, destaco o Disclosed.ca, que recolhe as informações sobre contratos públicos em mais de uma centena de sites federais e torna essas informações facilmente pesquisáveis e trabalhadas pelo cidadão comum. Uma aplicação que facilita aquilo que o governo já divulgava na rede mas, por comodidade ou intenção, de forma complicada e sem ligações inteligentes.

No Brasil, espero pelo dia em que as bases de dados governamentais estejam abertas para download, de modo que a sociedade, para a qual pertencem essas informações, passe a produzir mais conhecimento sobre seus governos e melhor decidir sobre seus caminhos.

A cada dois anos acontece na Comunidade Européia, a Conferência Ministerial de Governo Eletrônico, reunindo todos os países membros em torno do planejamento de novos serviços públicos eletrônicos, em benefício do cidadão, do governo e da comunidade. A próxima reunião acontecerá neste 2009, entre 18 e 20 de novembro, em Malmö, ao sul da Suécia, de onde nascerá uma nova declaração de governança eletrônica projetada até 2015.

A declaração de 2007, também chamada Declaração de Lisboa, apoiou e atualizou o i2010, Plano de Inovação em Governo europeu, brevemente comentado aqui, considerado um dos mais arrojados planos intergovernamentais desde a criação da CE.

Para a reunião de novembro, entretanto, haverá uma novidade em termos de participação popular, seguindo o estilo estratégico do governo Obama, comentado em nosso post anterior. Os nossos já conhecidos David Osimo e Paul Johnson, inspirados na estratégia americana de captação de idéias para o fortalecimento colaborativo de propostas inovadoras, criaram o Open Declaration on Public Services 2.0 que, além de blog, conta com um mecanismo participativo de envio e votação de idéias, semelhante ao Open Government Dialogue americano.

Essa plataforma denominada Public Services 2.0, criada com a ferramenta social UserVoice, atende a primeira fase de brainstorm (seguindo a estratégia Obama), e coloca a seguinte questão-teaser aos participantes:
Quais são as principais coisas que os governos da União Européia devem fazer nos próximos três anos, usando a Web para transformar os serviços públicos?
É interessante, ao ver os resultados parciais, que as três primeiras propostas mais votadas referem-se a abertura das bases de dados governamentais ao uso público (open data government).

As contribuições devem ser postadas e/ou votadas até 15 de julho, após o que serão consolidadas até agosto, para serem revistas e comentadas em ambiente público entre setembro e outubro, para que finalmente sejam organizadas e apresentadas na reunião de Malmö.

Contudo, diferente da estratégia norte-americana, esta parte da sociedade civil que, espero, obter representatividade e encontrar ouvidos na Conferência Ministerial.

Apenas como nota, acontece hoje, dia 6, em Londres, o Reboot Britain, que também deve trazer adesões ao Public Service 2.0.

Nos últimos meses estivemos perguntando a personalidades do mundo acadêmico, empresarial e governamental o que é inovação e como inovar em governo, ao mesmo tempo em que nos aprofundamos na estratégia da gestão Obama, como fonte de inspiração e tendência ao que viria na migração do e-gov (electronic government) para o i-gov (innovation government).

As respostas, além de variadas e enriquecedoras, trazem em comum a dificuldade em apresentar um modelo ou exemplo a ser seguido.

Nessa mesma busca pela inovação, o governo americano veio a público, pela internet é claro, para convocar a população que quisesse repensar e propor novas formas de gestão pública, oferecendo não apenas o compromisso da interação, mas principalmente disponibilizando ferramentas de participação, colaboração, transparência e engajamento, de modo a conduzir juntos a inovação em governo.

De fato, essa era a primeira fase de uma revolucionária estratégia que pretende, entre outras coisas, abandonar o modelo de governo eletrônico entregador unilateral de informação, que se vale de um monólogo em sua comunicação com o cidadão para entregar serviços em formato web, do ponto de vista tecnológico, mas formato balcão sob a ótica social, distante do diálogo que a rede permite, aliás mais do que diálogo simples, são os diálogos múltiplos que hoje presenciamos na rede e não encontramos no governo.

A estratégia é então composta de três fases:
fase 1: Brainstorm - A população compartilha suas idéias de como tornar o governo mais aberto e eficiente, tanto postando suas recomendações, quanto votando nas idéias dos demais, através do site Open Government Dialogue. O objetivo desta fase foi atender às seguintes questões:
  • Como as operações do governo podem ser mais transparentes e responsáveis?
  • Como os comitês consultivos federais de legislação, regulamentação e eletrônicos podem ser melhor utilizados para melhorar a qualidade das decisões do governo?
  • Quais modelos alternativos para melhorar a qualidade das decisões dos gestores públicos e ao mesmo tempo possibilite o aumento da participação cidadã nestas decisões?
  • Quais estratégias poderiam ser empregadas para obtermos uma maior utilização da web 2.0 nas agências públicas?
  • Quais políticas estão impedindo a inovação no governo atualmente?
  • Qual o melhor caminho para mudar a cultura de governo, para que compreenda a colaboração ?
  • Quais mudanças devem ser feitas na formação ou contratação de pessoal, que favoreçam a inovação?
  • Quais os modelos de avaliação de desempenho são necessários para determinar a eficácia de uma política de governo aberto?
Com duração de uma semana, entre 21 e 28 de maio, o brainstorm nacional reuniu online 4.208 idéias vindas dos cidadãos, dando início a segunda fase.

fase 2: Discussão - Para a triagem e o aprofundamento das contribuições, bem como a classificação e identificação dos desafios apresentados na fase 1. Para tanto, o governo, por meio do Escritório de Política em Ciência e Tecnologia, montou um blog reportando as discussões e permitindo os comentários e outras contribuições dos cidadãos.

fase 3: Elaboração (Drafting) - Permanece o incentivo à colaboração no desenvolvimento das idéias inovadoras a fim de transformá-las em princípios para ações específicas de governo, com o objetivo de dar respostas a:
  • Quem? - Quem está sendo direcionado para fazer o quê?
  • O quê? - Qual é a recomendação destinada a atingir?
  • Por quê? - Porque é importante?
  • Como? - Como o sucesso é medido?
Esta fase, tida como final na White House Open Government Initiative, será encerrada no próximo dia 6 de julho, entretanto algumas iniciativas de inovação já podem ser vistas (e seguidas) consultando a Galeria de Inovações do Governo Aberto.

Das inovações já apresentadas, a que provoca maior admiração é a Data.Gov. Nesse site, o governo americano apresenta uma plataforma para o Open Data Government, disponibilizando à sociedade suas principais bases de dados, consideradas de interesse do cidadão, em formatos amigáveis como o xml, para que indivíduos, associações, comunidades e empresas possam produzir aplicações web e conhecimento, apoiados em bases governamentais.

Os benefícios, para além dos novos serviços públicos eletrônicos, produzidos pela sociedade e que facilmente veremos em breve, somam-se a transparência efetiva, a inovação científica e educacional e o engajamento cívico que vive seu ressurgimento naquele país. Veja o vídeo promocional:



Creio que será, depois disso, no mínimo, anacrônico discutirmos se o governo deve ou não publicar os salários dos servidores. Também acredito que esteja nessa estratégia a resposta para a morte do governo eletrônico e o surgimento real da inovação em governo.
Há algumas semanas comentei no blog iGovSaber sobre Infografia e Governo, a fim de avolumar o debate que travamos sobre a forma e o conteúdo das informações que os governos publicam, apontando para uma necessária prática de adotar a clareza e objetividade, cada vez que se pensar em transparência ou e-democracia.

Outro ponto que está nesse debate é a abertura dos dados públicos governamentais, permitindo o acesso e o desenvolvimento de aplicações pela sociedade que, ao extraí-los e traduzí-los inteligentemente dos bunkers do governo, transforma aquela informação em prestimosos serviços à comunidade.

A idéia do Sérgio Bolliger, por exemplo, é a de que os governos estimulem a criação de
mashups com suas bases, opinião também compartilhada pelo David Osimo no egov 2.0 e pelo pessoal da Apps for Democracy.

Surge uma luz, acesa pela Google que, ainda que fraca, ilumina essa escuridão criativa dos serviços públicos eletrônicos. Afinal, penso que o e-gov agoniza por falta de inovação no modelo de negócio e esta é uma oportunidade de redefinir a estratégia. 

O recurso criado pela Google, por exemplo, permite a transformação de dados públicos, diretamente de suas bases abertas, em gráficos interativos e inteligíveis, que podem oferecer comparações, cruzamentos e integração em sites, com poucos cliques.

Por enquanto, o experimento faz apenas um comparativo online da taxa de desemprego em todos os Estados norte-americanos, acessando diretamente os dados do
U.S. Bureau of Labor Statistics. Veja abaixo o vídeo mostrando como se faz ou acesse aqui para experimentar:



Se a iniciativa privada está disposta a criar esses mecanismos integradores, falta aos governos a decisão de abertura de acesso para que venham novos serviços públicos.

O Governador do Estado de Vírgina, EUA, Timothy Kaine, acredito que seja o primeiro governante a entender o recado. Há exatos dois anos, o governador Kaine anunciou uma parceria com a Google abrindo as bases informacionais do governo estadual, argumentando que o "objetivo é promover o acesso dos cidadãos aos recursos do governo, de modo simples, intuitivo e rápido.". Parte desse trabalho pode ser visto nos widgets disponíveis pelo site oficial de Virgínia.

Firmar esse compromisso com a transparência, abrindo o governo para seus cidadãos, como expresso ainda em campanha pelo presidente Obama, creio que não seja impossível, nem caro, só impõe estratégia arrojada e homens de boa vontade. 

Ainda fascina, principalmente aqueles que estão em governo e tecnologia, a estratégia de Barack Obama na corrida presidencial americana, encerrada há cinco meses. Todos concordam que, em termos comunicacionais, as eleições de 2008 nos EUA troxeram mais do que um novo presidente, um novo meio, uma nova mídia, que não apenas serviu ao marketing político, mas essencialmente conectou o cidadão com a política. 

De tudo que acompanhei, li e escrevi, fico com a sensação de que ainda enxergamos pouco, os bastidores dessa campanha são revelados ainda em tons de odisséia, com rasa abordagem estratégica e baixa visão do conjunto.

Agora, a empresa norte-americana de relações públicas Edelman, sediada em Chicago e dedicada a esta àrea desde os anos 50, publicou o The Social Pulpit: Barack Obama’s Social Media Toolkit, um relatório que conta a história da campanha de forma organizada, mostrando conceitos, definições, os  estratagemas digitais e as táticas nas quais se apoiaram a equipe Obama.

Ao ler, penso por momentos que estou diante daqueles kits de mágica em que se revelam, com utensílios web 2.0, os truques e como fazê-los. Veja, por exemplo, o modelo de crossmedia elaborado pela Edelman explicando o modelo de engajamento público:


Mais adiante, o relatório também define um modelo de utilização das ferramentas sociais na campanha, apontando os porquês de cada ferramenta, assim como a integração e relacionamento entre todos os espaços utilizados, graficamente resumido a seguir sobre o modelo de hub do site MyBO:

Diferente do kit de mágica, em que bastam equipamentos e performance para produzir o efeito, percebo que o belíssimo trabalho da Edelman, ao descrever o novo palanque social, esteja mais próximo daqueles kits de química, em que a combinação equilibrada de elementos, com domínio prévio de seus compostos, é que podem determinar o sucesso ou fracasso da experiência.
 

Parlamento 2.0

• 0 comentários
Primeiro foi o Parlamento do País Basco que promoveu a política à versão 2.0, agora o Parlamento de Catalunha adere as redes sociais e ferramentas web 2.0, com uma estratégia comunicacional interrelacionada, interativa e focada no cidadão, sob o Portal Parlamento 2.0.

A iniciativa catalã, além da presença no Twitter, Youtube e Facebook, mantém um podcast, um agregador de blogs e twitter dos deputados, para promover a transparência legislativa.

Mas não para por aí, o parlamento catalão também criou o serviço Meu Parlamento, para que os cidadãos possam, sob registro,  acompanhar os assuntos legislativos de seu interesse, de forma personalisada. Outra novidade - e esta deve servir de exemplo para os serviços públicos de qualquer governo - está na disponibilização de widgets, que são pequenas aplicações que podem ser integradas a outros sites, públicos ou privados, a fim de oferecer mais informação ao povo catalão.

Também não faltou espaço online para fazer perguntas ao presidente, com o serviço O Presidente Responde, as questões e respostas são publicadas para toda a comunidade catalã. Em sua segunda legislatura como presidente, Ernest Benach i Pascual, de 49 anos, resume em seu blog que "o Parlamento 2.0 equivale a um parlamento transparente, aberto e acessível a cidadania a qual representa e para qual trabalha. Equivale a interatividade entre política e sociedade, a ouvir e discutir livremente, a interagir e abrir novos canais de relacionamento direto com o cidadão.".

O que falta para nossas Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas e o Congresso funcionarem dessa forma ?
Uma das vantagens na inovação que utiliza tecnologia digital é a facilidade com que pode ser reproduzida, ou seja, uma iniciativa-modelo em determinada área pode ser copiada para outra, ainda com os ganhos de um sistema já testado. Diferentemente no mundo físico, quando o governo cria um hospital ou escola modelo, sabemos que dificilmente o modelo se reproduzirá, visto que envolve custos de construção, equipamentos e manutenção, não suportados por outros projetos.

O Reino Unido tem um modelo de avaliação de serviços públicos, o Patient Opinion, que é referência mundial em participação cidadã na internet, na medida em que, através de um site, o paciente atendido pela rede pública de saúde avalia o serviço prestado e a qualidade do atendimento, as instalações, o tratamento, enfim os diversos aspectos de sua passagem por esse serviço, contando sua história de modo a servir à administração e aos demais cidadãos. 

Esse modelo agora será reproduzido e ampliado aos demais serviços públicos britânicos, através do projeto Working Together, lançado nesta semana pelo Primeiro Ministro Gordon Brown, que sintetiza o princípio do projeto ao declarar que "Estamos no início de um novo mundo na prestação de contas, no qual os pais, os doentes e as comunidades locais formam os serviços que recebem, assegurando a todos que os nossos serviços públicos não estão apenas na mão do governo, mas representam a voz do povo local.".

A partir de maio estarão disponíveis ferramentas online para que o cidadão possa avaliar e comparar o funcionamento dos serviços municipais e, a partir de 2010, os pais poderão registrar no site o seu  feedback  sobre o sistema de educação e os serviços prestados nesta área aos seus filhos.

Algo assim está sendo pensado pelo Governo do Estado de São Paulo, a funcionar no Portal Cidadão.SP, com um mecanismo de avaliação da informação e da prestação dos serviços sendo utilizados pelo cidadão paulista, porém sem data marcada para implantação.

A revista americana Fast Company, especializada em liderança, inovação design e tecnologia, acaba de publicar o ranking mundial das 50 companhias mais inovadoras, o The World's Most Innovative Companies, edição 2009. É natural esperarmos nesse tipo de lista nomes como Apple, Google, Intel e outras gigantes da high technology, já que é uma área que tem a inovação como meta, mas a surpresa está em quem ficou em primeiro lugar: A equipe Obama.

As categorias destacadas na premiação da equipe referem-se à inovação como novidade, como estratégia de marketing e como utilização de infográficos. Neste último destaque, decorrente dos esforços em design, a revista aponta para um bem resolvido infográfico, bastante simples e até modesto quando comparado ao todo visual da campanha, sintetizando a trajetória da campanha desde a indicação até a posse. 

A equipe de Obama, além de merecedora de vários prêmios em inovação, continua trabalhando. Vejam o recente site criado para mostrar ao cidadão americano como estão sendo gastos os US$ 787 bilhões do plano de recuperação da economia. O site Recovery, possui um gráfico-síntese dos setores que receberam fundos do governo, sob o título " Para onde está indo seu dinheiro", é clara a objetividade e compromisso da equipe. A apresentação é do próprio presidente, com o vídeo a seguir:



O site também oferece uma área de "Conte-nos sua história", característica do jeitão Obama, e ainda, passará a oferecer os dados de todos os gastos de forma aberta, possibilitando o mashup e o uso por aplicações de terceiros, além de novos gráficos para uma melhor visualização das informações.  

Quem quiser comparar, veja o site do PAC criado pelo governo federal.

Lembro também que a Câmara Federal está cheia de cuidados e dificuldades para publicar  na internet os gastos de verbas indenizatórias pelos deputados. Quando sair, penso que teremos que desenvolver uma Pedra de Roseta digital para entender onde estão sendo "aplicadas" essas verbas.

Fico um pouco desconfortado quando ouço ou leio sobre o "otimismo da Obamamania" colocado em tom de deboche e exagero, parece que aqueles que acreditam ou externam sua esperança na gestão de Obama são tolos, ingênuos o suficiente para não verem a realidade que o exercício do poder imprime sobre qualquer mandatário, bem ou mal intencionado. Isto não é verdade.

No caso dos "bem intencionados", o otimismo se distingue da realidade ou do pessimismo por oferecer a oportunidade de inovar, de mudar, de melhorar o estado das coisas e as coisas do Estado. É assim que surgem as boas idéias e as propostas que de fato interessam, mostrando-nos caminhos que são, no mínimo, alternativas para o desenvolvimento e para a inovação. É melhor que o otimismo, com certos limites é claro, contagie as pessoas a ponto de abrir portas e janelas para novos ares.

Um bom exemplo é o Personal Democracy Forum, dedicado às mudanças que a tecnologia pode provocar na política e na gestão pública, que recentemente disponibilizou uma antologia de 40 ensaios sobre governo 2.0, indo desde as eleições e as novas formas de organização civil, até as formas de participação do cidadão nas decisões governamentais, tendo em vista as atuais e futuras tecnologias.

O livro Rebooting America reúne visões múltiplas, porém convergentes, de um governo 2.0 que pode liderar e foi publicado na perspectiva de servir a um governo de mudança e inovação, como parece-nos, com o otimismo que convém, o governo Obama. Seus autores, experientes em tecnologia e políticas públicas, apresentam um caminho para os próximos dez anos que em nenhum momento confunde-se com a futurologia cibernética, mas pauta-se no redor e no recente para propor mudanças em governo.

Com boa dose de humor, espero que alguma editora o publique também em português. Curiosa coincidência, há algumas semanas eu escrevia aqui sobre a necessidade de "um reboot capaz de mudar o funcionamento de toda a gestão, pelo update democrático"; estamos sintonizados.
 

Dia de Mudança

• 0 comentários
Nesta terça-feira assume Barack Obama em cerimônia que deverá ser o evento de maior audiência a ser transmitido pela internet. O site do Presidential Inauguration Committee está cuidando de tudo, desde mensagens via SMS orientando o cidadão quanto a transportes, clima e hospedagens, como cadastro de voluntários que possam auxiliar na organização, até canais específicos no Twitter, no Flickr e, lógico, no YouTube.

Como nosso compromisso em acompanhar o Presidente 2.0 vem desde as prévias, passando pelas eleições e pela transição, vamos seguir a posse e estar atentos à gestão, para a qual não faltam problemas e desafios.

Não falo da crise econômica, ou da no Oriente Médio, mas especificamente em como a gestão Obama irá enfrentar na Casa Branca os obstáculos à modernidade, construídos por burocratas e tecnocratas, que impedem, por exemplo, que os sites oficiais tenham conexão com YouTube, ou com comunidades do tipo Facebook, Flickr e outros sites comerciais. Quem já acessou o site White House ou o FirstGov, percebe essa ausência de interação tanto com o governo quanto com os serviços públicos.

Como Obama mudará isso ?

Após as eleições, a campanha de Obama contabilizou números inacreditáveis com o uso da internet: um mailing de 13 milhões de emails, mais de um milhão de celulares cadastrados, cerca de 3,8 milhões de associados à sua página no Facebook, além é claro dos 500 milhões de dólares em doações online, em números recentemente atualizados pelo comitê.

As mesmas ferramentas que fizeram o sucesso da campanha são aquelas esperadas na gestão, no mínimo algo que se assemelhe. A Casa Branca não está preparada para isso, ninguém acessa blogs, nem YouTube, nem Orkut ou qualquer ferramenta social se estiver na rede .gov... aqui também é assim e é por isso que vamos aprender algo, creio.

Alguns casos a caneta do presidente resolve, outros exigirão mudanças legais e autorização do Congresso, mas a todos se impõe a vontade política, que o emblemático compromisso de mudança representa. É preciso que todos percebam que essas ferramentas significam muito mais que modernidade, constituem o instrumento da mudança.
Seria bom se existisse um switch off, uma atualização de versão, um reboot capaz de mudar o funcionamento de toda a gestão pelo update democrático. Mas gestão é feita de pessoas e a real mudança começa com elas e por elas.

Para assistir a posse, amanhã a partir das 9h clique aqui . Tecnologicamente, a equipe que coordena o evento definiu que a ferramenta de vídeo seja a Silverlight, da Microsoft, concorrente do Flash.  Será transmitido pela MSNBC e também pelo Joost. Ou ainda, pela janela aqui embaixo.


Quem percorreu as páginas deste blog já observou que, embora nosso propósito seja o de divulgar boas práticas de inovação em governo no Brasil e no exterior, a presença de iniciativas dos Estados Unidos em nossos posts é quase nula, o que parcialmente explicamos aqui. De fato, é de se estranhar que a liderança e o pioneirismo norte-americano nesse setor tenham sido abandonados nesses anos de inovação, de governo 2.0, mas é aceitável se olharmos para o governo Bush como o puxador da tomada do e-gov. 

Sabemos, por tudo que já escrevemos aqui sobre o presidente eleito Barack Obama, que esta situação já está mudando e fica cada vez mais forte a certeza de que essa mudança vai além do otimismo, porque para Obama é clara a utilização de tecnologias de informação e comunicação para a governança. Não é modismo, nem tecnocentrismo, o que caracteriza as ações do presidente eleito ao declarar a criação em seu governo de um CTO - Chief of Technology Office, sua escolha nesse caminho começou bem antes, como já dissemos, no encontro que o então senador teve com Marc Andreessen, em 2007.

Nesse mesmo ano, em novembro, Obama foi ao escritório da Google para proferir uma palestra sobre suas idéias de TICs e governo. Os trechos dessa palestra foram disponibilizados somente há um mês no YouTube e pode ser assistido abaixo.


Na iniciativa de "criar uma democracia transparente e conectada", destacamos os seguintes pontos do discurso:
  • Disponibilizar informações governamentais online em formatos acessíveis universalmente;
  • Criar fóruns de participação pública, para perguntas gerais sobre legislações pendentes, com respostas em tempo real e espaço para sugestões e críticas às leis antes de serem assinadas;
  • Garantir que cada residente americano e cada escola, hospital e biblioteca tenha acesso à internet em banda larga;
  • Incrementar os padrões de velocidade de banda larga;
  • Estimular a ciência e a educação tecnológica, preparando uma nova geração de cientistas; e
  • Implantar o registro médico eletrônico, melhorando os cuidados com a saúde, diminuindo erros e baixando os custos do sistema. 
Para tornar real o Plano de Tecnologia e Inovação, o governo Obama já nomeu os três nomes que irão assumir o Grupo de Tecnologia, Inovação e Políticas Governamentais: Sonal Shah (foto), que chefiava uma das iniciativas filantrópicas da Google; Blair Levin e Julius Genachowski, ambos originados do FCC - Federal Communication Comission, um tipo de Anatel americana.

A mudança começou e para o lado certo.
Dedicamos anteriormente neste blog vários posts à campanha eleitoral de Barack Obama, elogiada pelo uso da internet e das ferramentas sociais, também comentada em nosso podcast, que adiciona os elementos estatísticos e estratégicos que foram recentemente revelados sobre essa vitoriosa campanha.

Entre as revelações, a NewsWeek está publicando online uma enorme reportagem em sete partes, contando os bastidores da campanha, que inclui alguns toques da estratégia web e os conflitos entre crackers.

Também sobre os bastidores webelections, o Chicago Tribune exibe fotos e comentários do comitê de campanha, apresentando Chris Hughes, jovem de 24 anos e um dos fundadores do FaceBook, que ganhou o posto de "guru da campanha online". Não esqueçamos que em 2007, o então senador Obama teve um encontro com Marc Andreessen, aquele que criou o Netscape e o portal de rede social Ning, justamente para aprender sobre ferramentas sociais. Esse encontro é relatado por Andreessen em seu blog.

Entretando, passada a ressaca das eleições, é hora de olharmos a transição; e neste ponto a equipe do presidente eleito também não decepciona.

Eu já havia acessado o White House Transition Project, que existe desde 1997 e relata todas as transições presidenciais, oferecendo um acervo de recursos e documentos, entre eles o "Recommendations for an Effective 2008 Transition", de Clay Johnson, executivo de governo e quem cuidou da transição Clinton-Bush.

Mais recentemente conheci o The White House 2, que está colhendo adesões à propostas para os primeiros 100 dias de governo Obama, onde o cidadão pode votar as prioridades. Interessante site que mostra em segundo lugar, entre as prioridades que devem ser cuidadas pelo presidente, fazer com que os USA sejam líder em "empregos verdes" e inovação (Make the U.S. a leader in green jobs and innovation). Isso combina muito com o que o Pepe escreveu no post anterior.

Agora, no dia seguinte ao resultado das eleições, a equipe de Obama colocou no ar o seu site de transição The Obama-Biden Transition Project que, além de apresentar a evolução da nova administração, a agenda de prioridades do novo governo, as nomeações e ocupações de cargo, convida a interação do povo americano com duas frases-chaves: "Conte-nos sua história" e "Compartilhe suas Idéias". Ambas propõem ao usuário participar ativamente deste momento histórico.

Sabemos que nada disso surge de repente, do improviso. A campanha de Obama, iniciada há 22 meses tem, no mínimo desde julho último, preparada a estratégia da transição e posse, não por presunção, mas porque um candidato que não se prepara para assumir o cargo, no mínimo seis meses antes, não está preparado nem para ser candidato, como recomenda Clay Johnson. Se o uso de ferramentas Web 2.0 foi importante na campanha, também deve ser utilizado na transição, como recomenda e instrumentaliza o excelente artigo de Mark Dapreau.

E também, é claro, deve ser utilizada na gestão, logo após a posse. Vamos acompanhar.
Se a sequência eleições-transição-gestão do novo governo americano seguir com coerência o uso colaborativo de idéias e conhecimento, talvez tenhamos um inovador modelo de gestão, concentrando e usando conceitos de economia de colaboração, cauda longa, emergência, ferramentas sociais, convergência tecnológica e tudo aquilo de bom que surgiu nos últimos oito anos, mas não tínhamos ninguém para liderar.
Apesar de não ser simpático às nomenclaturas que dão às gerações, muito utilizadas pelos estatísticos e marketeiros - que criaram rótulos como os baby bommers, que foram sucedidos pela geração X e que agora cedem espaço para a geração Y  - é impossível negar que essas diferenças comportamentais, de consumo, crença e valores, sejam cada vez mais influenciadas pela tecnologia na sociedade. Então, o que acontece na nova geração ? Quais ferramentas usam para se expressar ? A vídeogeração não é mais espectadora, é produtora.

A organização não governamental britânica
DEMOS, que tem por princípio ser um "catalizador de idéias da democracia cotidiana", publica estudos e organiza eventos focados para os movimentos sociais e democráticos, que apresentam os desafios da participação cidadã dos jovens e seus métodos nos dias atuais. Assista o vídeo abaixo criado pela DEMOS.


A DEMOS, como parte desse estudo, também publicou o delicioso relatório de Celia Hannon, Peter Bradwell e Charlie Tims, todos da European Cultural Foundation, chamado Video Republic. Esse estudo, gratuito para download, coloca os fatos e argumentos desta geração conectada, usuária e produtora de vídeos através de webcams, celulares e câmeras de bolso de baixo custo e alto impacto, que não se incomodam com a imagem tremida ou com pouca luz, mas se preocupam em mostrar e denunciar a realidade ao seu redor.

As novas gerações e as novas tecnologias talvez tragam consigo a nova democracia, uma nova república... algo além de novos consumidores. Antes dizíamos que informação é poder; agora, como diz na abertura do vídeo, contar histórias é poder.

E o governo nisso ? Eu havia comentado em outro post sobre a posição da ministra da Educação e Política Social de Espanha sobre a obrigação da administração pública em compreender e usar esses canais, agora o Video Republic inglês afirma que "os governos procuram solucionar os resultados coletivos, influenciando a cultura em que vivemos; também eles vão ter de encontrar novas maneiras de comunicarem-se com pessoas através da Video Republica."

Parece que, ao menos no Reino Unido, essas novas maneiras de videocomunicação já estão adotadas, tanto pelo Primeiro Ministro quanto por Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II.


A propósito, em 1958 na Inglaterra, essa mesma rainha transmitiu a primeira mensagem real de Natal pela TV, desejando naquela ocasião que "o novo meio torne a minha mensagem de Natal mais pessoal e direta. O fato de alguns de vocês me verem hoje é um exemplo da velocidade que está mudando o mundo".


Sim, está mudando e muito mais veloz quando os governos são lentos.


O caderno Link (do Estadão e Jornal da Tarde) desta semana traz em reportagem de capa o tema Tecnologia também é Política, apresentando as propostas de e-gov dos candidatos a prefeito da cidade de São Paulo. É muito interessante ver os diferentes vieses que cada candidato dá ao assunto, que vão desde visões mínimas de desburocratização pela informatização até a efetividade de novos e integrados serviços públicos online.

Em comum, dois pontos: todos pretendem conectar a cidade em banda larga, em contrapartida, nenhum propõe uma política de tecnologia de informação e inovação em governo. Quer dizer, entenderam que deve ser usado, mas ainda não sabem como nem porque. 

Querem uma dica ? É só acessar o Tech President, um excelente blog que concentra-se em apresentar "Como os candidatos estão usando a web e como são usados por ela", de acordo com o slogan do site.  

Nos EUA, tecnologia e política estão estreitando laços, basta assistir ao vídeo a seguir, extraído da propaganda de TV do candidato Barack Obama, que aponta para a incompetência de seu adversário McCain em entender o mundo contemporâneo, baseado em sua falta de habilidade e convívio com computadores:



Em transcrição do Gizmodo, o comercial diz: “1982. John McCain vai a Washington. As coisas mudaram nos últimos 26 anos. Mas McCain não. Ele admite que ainda não sabe como usar um computador. Não consegue mandar um e-mail. Ainda não entende a economia. E apóia US$ 200 bilhões em cortes de impostos para corporações, mas quase nada para a classe média. Depois de um presidente desatualizado, nós simplesmente não podemos suportar mais do mesmo.”

Pelo vulto que tomaram nestas eleições os temas internet, serviços eletrônicos e estratégia em tecnologia de informação, finalmente o assunto passou ao primeiro grupo de propostas (e promessas) de gestão pública eficiente e de qualidade. Ter um projeto de conexão à rede, de criação de novos serviços públicos digitais e socialização de ferramentas de comunicação, está ficando tão importante (ou vinculado) aos de solução de infraestrutura urbana. 

Em curtas palavras, levar conexão à internet passa a ser tão fundamental quanto levar eletricidade.

Veja o que o Pepe comenta no post abaixo e também o que já falamos sobre o assunto aqui.

Vira e mexe surge a pergunta. Quantos blogs existem no mundo?

Acho impossível responder esta pergunta com um grau mínimo de confiabilidade. Enquanto estou fazendo esta postagem, milhares de blogs estão sendo criados, e outros tantos estão desaparecendo. Por isso mesmo, os números apresentados pelas diversas empresas especialistas em pesquisas na web são tão díspares.

Pessoalmente, creio que mais importante do que entrar nessa neura numérica, é prestar atenção na direção do vento. Senão, ficamos escravos da “estatística pela estatística” e deixamos de observar o mais importante, ou seja, o verdadeiro impacto das ferramentas sociais, das quais o blog é a face mais conhecida, na vida das pessoas e organizações.

Foi com este espírito que comento alguns aspectos da pesquisa “O Estado da Blogosfera”, recentemente disponibilizada na Internet pela Technorati, empresa especializada em indexação, classificação e distribuição de conteúdos gerados em blogs e outras mídias sociais.

Apontarei, nesta postagem, 10 pontos (olha eu caindo na armadilha numérica) que me chamaram muita atenção no documento. Por coerência, não falarei sobre as cifras, em si, as quais podem ser consultadas no estudo mencionado.

1. Os blogs, entendidos como veículos de democratização do processo de autoria e de distribuição de conteúdo, mudaram radicalmente a face da Internet e moldarão o futuro da mídia.

2. Como o talento não cresce na mesma proporção das facilidades tecnológicas, haverá, na blogosfera, muita coisa ruim e sem interesse, algum material de qualidade e uns poucos exemplares de excepcional valor. Essas duas últimas manifestações, por si só, mostram a importância dos blogs para a divulgação de idéias e experiências que, antes, por falta de canal apropriado, tendiam a ficar no plano dos sonhos não realizados.

3. Os blogs estão mudando de cara. Tornaram-se mais bonitos, têm mais funções e estão ficando com jeitão de “site”.

4. Isto tem muito a ver com a maior sofisticação e integração da ferramentas da web 2.0. Pressinto uma grande expansão de soluções que incorporem, em um único ambiente, gratuito e bem resolvido visualmente, o melhor dos blogs, wikis, redes sociais, mashups, etc.

5. O Internet está tomando o lugar da TV como maior consumidora das horas de lazer da população mais jovem. Os blogs e as redes sociais explicam muito desse fenômeno.

6. Estimo que a convergência digital vai se acelerar e os computadores vão, cada vez mais rapidamente, ficar com a cara das TVs e as TVs, com a cara dos computadores.

7. Blogs viraram mania universal. O que era um fenômeno tipicamente norte-americano, com o passar dos anos, foi avançando, também, nos demais continentes, moldando um novo estilo de vida global.

8. Blogs tornaram-se recurso corporativo. O que, de início, era rejeitado ou visto com desconfiança, passou, mais recentemente, a integrar o conjunto de ferramentas colaborativas e de comunicação mercadológica de um número crescente de organizações.

9. No universo corporativo, os governos, em particular, ainda utilizam pouco, e muito timidamente, blogs e outras ferramentas sociais na moldagem de uma nova relação entre o serviço público e a cidadania. Felizmente, este quadro está começando a mudar, graças, principalmente, a utilização inovadora desses instrumentos na campanha presidencial de Barack Obama e por um crescente número de governos europeus.

10. Para reforçar este sentimento, vou reproduzir uma declaração do consultor Michael Powell, da Providence Equity Partners, um dos ouvidos pela Technorati na pesquisa ora comentada. Disse ele, “a blogosfera colocou um pouco mais de tempero na nossa democracia, tornado-a mais apetitosa para um maior número de pessoas”.

A Política 2.0

• 0 comentários
No próximo sábado, dia 13/09,  o Parlamento do País Basco será invadido pela blogosfera daquela região do extremo norte da Espanha, para realizar o primeiro encontro de blogueiros, políticos e políticos-blogueiros, a fim de explorar as possibilidades de incorporação das ferramentas web 2.0 no âmbito da política. 

Apesar de não possuir nenhuma entidade organizadora do evento, todos estarão lá a convite da presidenta da casa, Izaskun Bilbao, foto, a primeira mulher a presidir o Parlamento Basco desde sua criação.

O encontro, chamado Politika 2.0, naturalmente já possui blog, wiki, twitter e facebook, por onde vai dar para acompanhar a discussão e a criação de conteúdos, que já começou. Leia, por exemplo, o modesto decálogo (na verdade tem 13 mandamentos) do Poli-blogger, que é como estão chamando o político-blogueiro. 

Foi um achado chegar ao décimo-segundo mandamento, que diz "Busca sempre a Sinergia Macramental estável, duradoura e em contínua expansão.". Por ignorância e dever de ofício, fui atrás da definição de Sinergia Macramental e descobri que o termo, nascido na eFindex do ano passado, parece acertar ao descrever a potencialidade dos blogs na dinâmica de comunicação nos tempos atuais. Um neologismo que cabe. 

Como anteriormente previ o fim da política 1.0, quem quiser saber mais sobre Politika2.0 e se preparar, comece pelas definições e siga em frente. Quem preferir, e vale a pena, pode também conhecer o Plano Basco da Sociedade de Informação - Agenda Digital 2010.

A última eleição 1.0

• 0 comentários
Nesta semana começou o horário obrigatório de propaganda eleitoral, que acabará só no dia 2 de outubro. Apresentam-se na mídia cerca de 380 mil candidatos a prefeito em todo Brasil (para 5.563 vagas) e um não-sei-quantos postulantes às 52.137 vagas de vereador pelo país. Conta de mais, totaliza 57.700 brasileiros que assumirão o poder público em seus municípios no próximo janeiro, via o voto direto.

Dizem que a campanha só começa mesmo quando tem início o uso da mídia eletrônica, em nosso caso o rádio e a tv (?!). Essa lógica da comunicação em mão única - candidato fala e eu escuto - está com dias contados, na nova e-democracia deve surgir o e-candidato que conduzirá a uma nova comunicação e gestão, tanto da campanha, quanto do mandato.

Daí lembrei de um artigo do Fernando Puente, publicado no El País sob o título "Los diez mandamientos para ser un buen e-alcalde", que coloca num decálogo muito simples as recomendações para os e-prefeitos. Aplica-se também no caso brasileiro, a começar pelo primeiro mandamento que é "Faça a vida mais fácil para as pessoas", aqui fundamenta-se a diretriz primeira para qualquer serviço público, principalmente o em meio eletrônico.
Penso que esta será a última eleição 1.0, em termos de planejamento, comunicação e formas de compromisso do candidato, incluindo quando eleito. A campanha eleitoral deste ano é, em formato e conteúdo, ultrapassada, unilateral, não-interativa e igualzinha as tantas outras que assistimos nos últimos doze anos.

Quando comentamos a brilhante campanha do Obama nas prévias democratas, criando vantagem competitiva em relação a Hillary, creditamos essa vantagem ao bom uso das ferramentas web 2.0, e estamos certo nisso. O que precisou ficar claro é que o uso dessas ferramentas significa alta interatividade e não simplesmente a diversidade midiática.

As eleições presidenciais de 2010 serão eleições 2.0, acredito. Haverá programas de candidatos sendo montados em co-produção com a população através de comunidades web e blogs, como o dos Metronauts no Canadá; o candidato responderá - ele mesmo - questões deixadas no Youtube pelo eleitorado, à moda britânica do Ask The PM; os nossos celulares receberão SMS e MMS não de propaganda política, mas de respostas às perguntas que enviamos aos partidos por esse meio, que também deve ser usado pelo TSE e seus regionais. Ah! sim, também me parece que a TV Digital estará mais amadurecida e talvez interativa.

E nesta eleição de 2008 o que pode ser feito ?
Bem, o que eu vou fazer neste final de semana é estudar um exemplo de participação política 2.0 que conheci recentemente: o site italiano OpenPolis.
Nesse site independente, os usuários "adotam" um candidato eleito em qualquer nível de governo e, além de prepararem a biografia política, monitoram e acompanham os passos desse representante, sua postura em decisões, quais projetos propôs e nos quais votou sim ou não, escândalos em que se envolveu, enfim, sem necessidade de "relação oficial dos fichas sujas". É o eleitor quem cria e controla o conteúdo, assim é a democracia doispontozero.

POST POST: Para ter uma idéia de outro bom projeto w2, com inovadora linguagem visual e de conteúdo sobre o tema eleições, acesse o projeto Rock the Vote, pelo qual um instituto de pesquisa dos EUA, em parceria com a Microsoft, estão usando a rede do videogame Xbox Live para medir a intenção de voto do jovem americano nas eleições deste ano. A Rock the Vote já usa o site e uma versão para mobile, Youtube, Flickr e Facebook, além de oferecer o mesmo conteúdo em espanhol. A notícia saiu no site da BBC e no Plantão Info.


O Blog de Fidel

• 0 comentários
Nesta semana em que muito se falou sobre a censura que a China impõe nos acessos à internet, fui surpreendido com a existência do site Cuba Debate, que tem como lema "contra el terrorismo midiático" e que hospeda o Reflexiones de Fidel, um blog com 141 posts publicados desde 28 de março de 2007 até ontem e assinados pelo estreante blogueiro cubano Fidel Castro Ruz.

O
Blog do Fidel, como está sendo chamado, traz ainda RSS, vídeos no YouTube e um fórum que se considera o "Medio de información alternativa que promueve el debate y alerta sobre campañas de difamación contra Cuba". Lá sim é possível postar algum tópico, já que nos posts de Castro não tem "comments".

Fidel Castro sempre soube aproveitar os meios de comunicação: discursos intermináveis no rádio e tv, livros, coletivas, entrevistas... onde aparece Fidel, o assédio da imprensa e de admiradores e o respeito de outros líderes, mostraram sempre o estadista carismático, articulado e daquelas pessoas a quem damos ouvidos e olhos atentos. Agora lemos seu diário digital, quase percebemos um Fidel 2.0.

Mais do que surpreso, fiquei satisfeito em ver o velho comandante tão perto das novas mídias, mas ainda estou pensando: onde estão os nossos blogueiros democratas?

Tem Lorde na Web 2.0

• 0 comentários

O leitor deste espaço já percebeu que pouco a pouco, os governos vem adotando os princípios, métodos e ferramentas da Web 2.0. E esta utilização não está, felizmente, totalmente correlacionada com a idade das organizações.

É o caso, por exemplo, da vetusta Câmara dos Lordes do Parlamento do Reino Unido, que acaba de criar um
canal no YouTube, oferecendo vídeos que falam sobre a história da instituição.

O objetivo central desta iniciativa, segundo afirmou a porta voz da Câmara, Helene Hayman, é atrair cidadãos de menos idade para os assuntos discutidos na Casa, mostrando que os temas ali tratados tem muito mais interesse para os jovens, do que estes poderiam supor inicialmente.

Para chegar até eles, entretanto, reconhece a porta-voz, é preciso caminhar no sentido da diversidade e combater visões estereotipadas sobre velhos e jovens. A utilização de vídeos, adotando uma linguagem descontraída, é um desses passos.

A respeitável Casa também tem um
blog para compartilhar opiniões entre seus membros, e destes com a cidadania.

Esperamos que os bons ventos que estão bafejando a tradicional Instituição ajudem a rejuvenescer cabeças de pessoas, idosas ou não, que ainda não entendem a importância do uso desses instrumentos para a modernização dos governos e fortalecimento da democracia.
Não cabe aqui, nem a mim, pronunciar sobre a recente decisão do TST – Tribunal de Superior do Trabalho, considerando que “não há ilicitude no ato da empresa que acessa caixa de correio eletrônico corporativo de empregado”, ou seja, não há privacidade ou sigilo se o computador e o acesso à rede não pertence ao empregado, mas é propriedade da empresa.

Contudo, me incomodaram as recomendações fornecidas à imprensa pelo relator do agravo, ministro Ives Gandra Martins Filho, em que sugere que as empresas e os órgãos públicos façam como o TST e restrinjam o acesso à internet pelos funcionários, proibindo qualquer contato com Orkut, blogs, Youtube, MSN ou sites de pornografia, por exemplos.

Note que, ao colocar uma aplicação num mesmo cesto da pornografia, dá-nos a impressão de que as comunidades do Orkut são povoadas por pedófilos e tarados, que os blogs são criados e mantidos por exibicionistas, que o Youtube é um festival de sexo explícito, ou ainda, que o MSN foi criado para a sedução. Isso não é exagero, é mentira.

Como diz o Pepe, fazer com que o empregado trabalhe não é tarefa de “proxy”, é tarefa do chefe. Confiar a identificação de maníacos e estranhos no ambiente de trabalho ao “sistema de segurança da rede” é uma grande besteira, isso é missão para departamentos como os de gestão de pessoas.

Atribuir à internet uma função desqualificada e imoral é negar todas as virtudes da rede, inibir ou restringir seu acesso significa obstruir o desenvolvimento do pensamento, da pesquisa e da mudança organizacional.

Acredito que aqueles que pensam como o ministro devam rever suas posições e acessar as boas práticas em vários países apresentadas neste e em tantos outros blogs e sites. Verão que existem empregados de escritórios e repartições públicas que trabalham mais, melhor e com qualidade de vida porque estão conectados irrestritamente.

POST POST: A Comissão de Educação e Cultura do Parlamento Europeu, a respeito do pluralismo dos meios de comunicação, elaborou e aprovou um interessante relatório, que está sendo chamado o Estatuto da Blogosfera, cuja versão em português pode ser acessada aqui.