Há uma crise não contabilizada em nossos noticiários. De fato, não é tão abissal quanto a crise econômica (que por aqui foi considerada marola), nem tão pandêmica quanto a multinomeada gripe suína, mas sim é uma crise: o Brasil sofre a crise da inovação.
Há uma crise não contabilizada em nossos noticiários. De fato, não é tão abissal quanto a crise econômica (que por aqui foi considerada marola), nem tão pandêmica quanto a multinomeada gripe suína, mas sim é uma crise: o Brasil sofre a crise da inovação.
A revista americana Fast Company, especializada em liderança, inovação design e tecnologia, acaba de publicar o ranking mundial das 50 companhias mais inovadoras, o The World's Most Innovative Companies, edição 2009. É natural esperarmos nesse tipo de lista nomes como Apple, Google, Intel e outras gigantes da high technology, já que é uma área que tem a inovação como meta, mas a surpresa está em quem ficou em primeiro lugar: A equipe Obama.
A consultoria e instituto de pesquisas dos Estados Unidos ForeSee Results, divulgou o estudoE-Government Satisfaction Index, que mediu o índice de satisfação dos cidadãos americanos com o e-gov.
A UNPAN - United Nations Online Network in Public Administration and Finance é uma unidade da ONU - Organização das Nações Unidas que publica estudos sobre gestão pública e financeira dos países membros, inclusive sobre governo eletrônico e aspectos correlatos de inovação na administração.Entre os capítulos apresentados, destaco o "O QUE O TCU ENCONTROU", que sintetiza assim:
1. Falta de formalização das diretrizes do Programa;
2. Enfraquecimento das instâncias de discussão e formulação da política de governo eletrônico;
3. Desconhecimento, por parte da coordenação do Programa, sobre os sítios do Governo Federal, e seus respectivos responsáveis nos órgãos da Administração Pública Federal;
4. Divulgação deficiente das diretrizes e documentos gerados pelo Programa;
5. Descompasso na implementação de serviços eletrônicos, pelos órgãos da Administração Pública Federal, com base nas diretrizes do Programa;
6. Inexistência de monitoramento e avaliação por parte da Coordenação do Programa;
7. Insuficiência de monitoramento e avaliação sistemáticos no âmbito interno dos órgãos da APF;
8. Ausência de indicadores de desempenho para o Programa;
9. Divulgação deficiente de boas práticas de governo eletrônico pela coordenação do Programa
Falta de controle do Programa Governo Eletrônico sobre a criação e extinção de sítios dos órgãos;
10. Desconhecimento, por parte dos gestores, do público-alvo dos serviços eletrônicos, suas necessidades e opiniões sobre a qualidade desses serviços;
11. Baixa porcentagem de serviços transacionais, orientados diretamente ao cidadão;
12. Inobservância de recomendações propostas nos documentos gerados pelo Programa que facilitariam o acesso e o uso de serviços públicos eletrônicos pelo cidadão;
13. Inobservância da diretriz que visa à centralização e simplificação do acesso à Internet
Agora me surgiram duas perguntas: - O que foi feito a partir dessas observações ? e - Será que os Tribunais de Contas Estaduais também não deveriam emitir pareceres sobre os programas de governo eletrônico em sua esfera ?
Acesse aqui o relatório.
O interessante nesse ranking é que os responsáveis pelo estudo utilizaram também como indicadores o trabalho desenvolvido pelos CIOs e gestores de informática das Administrações Públicas dos países avaliados, o que revela a importância dos tomadores de decisão para além da tecnologia. Outros critérios de pontuação que merecem destaque referem-se a quantidade de usuários do site em plataformas móveis, aplicações online, frequência de atualizações e grau de prioridade que e-gov possui na estratégia do Governo.
O Brasil pontuou neste ranking em 25 lugar ocupando, entre os latino-americanos, a terceira posição atrás do Chile e do México. Os três primeiros lugares do ranking mundial foram ocupados respectivamente pelos Estados Unidos, Cingapura e Canadá, todos sempre presentes em qualquer relatório de boas
práticas em e-gov.
Conheça o estudo em pdf, clicando aqui.
O segundo lugar é ocupado por São Francisco, seguido por Los Angeles e Austin. A capital americana de Washington DC é a lanterninha do top ten.
Acesse os resultados aqui, em inglês.
O primeiro mashup que vi com autoria de governo foi o da Cidade de Nova York, que criou no final do ano passado uma aplicação online em comemoração aos 40 anos de filmes rodados em NYC. Trata-se de um mapa interativo que cruza informações cinematográficas com as ruas de Nova York que vale a pena ser visto.
Mais recente é o Congressional Travel Maps, que é utilizado como uma ferramenta de transparência política nos EUA. Ele mostra em um mapa onde está e para onde viajou cada congressista norte-americano, acusando o custo da viagem e um ranking com os políticos que mais viajam. Tudo isso é possível graças à mesclagem [mashup] do Google Maps com o banco de dados do Open Secrets, um site de monitoramento das contas da política norte-americana.
Podemos pensar em alguma aplicação desse nível no Brasil ? Com certeza vamos voltar a falar de mashups e governo neste blog.
Para acessar uma lista de mashups disponíveis na web acesse aqui. Raríssimos de governo, ainda.